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Tempo Real

Juros: taxa recuam com apoio de Meirelles a Lula e melhora do câmbio

O quadro de apostas para o Copom segue apontando manutenção da taxa em 13,75%

Por Denise Abarca, Estadão Conteúdo

19/09/2022 | 17:44 Atualização: 19/09/2022 | 17:46

Foto: Envato Elements
Foto: Envato Elements

A semana do Copom começou com juros de médio e longo prazos em queda firme, influenciados pelo bom desempenho do real ante o dólar e melhora na perspectiva de risco fiscal após o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles formalizar seu apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, líder nas pesquisas de intenção de voto, à Presidência.

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As taxas curtas pouco oscilaram e terminaram perto da estabilidade, com os agentes já em compasso de espera pela decisão sobre a Selic na quarta-feira, que também terá reunião do Federal Reserve. O quadro de apostas para o Copom segue apontando majoritariamente manutenção da taxa em 13,75% e o que desperta maior expectativa é o teor do comunicado.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 passou de 13,79% no ajuste de sexta-feira para 13,77% e a do DI para janeiro de 2024 fechou em 13,23%, de 13,22%. A do DI para janeiro de 2025 voltou a furar 12%, fechando em 11,94%, de 12,02% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2027 terminou com taxa de 11,57%, de 11,69%.

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As taxas deram sequência ao movimento de devolução de prêmios iniciada na sexta-feira, mas chegaram a subir pela manhã quando o dólar ainda avançava ante o real e na esteira da piora da mediana das estimativas de IPCA para 2024 no Boletim Focus. Enquanto as previsões para 2022 (6,40% para 6,00%) e 2023 (5,17% para 5,01%) caíram, a de 2024 avançou pela terceira semana seguida, de 3,47% para 3,50%, contra 3,41% há um mês. Vale lembrar que, no último dia 6, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra, admitiu desconforto com o descolamento das expectativas para 2024, ano que vai ganhando cada vez mais importância no horizonte e política monetária, ante o centro da meta de 3,0%.

No meio da manhã, porém, tanto o dólar quanto os juros inverteram o sinal de alta e passaram a cair com força, na esteira da oficialização do apoio de Meirelles, figura pela qual o mercado financeiro tem grande apreço. “Há percepção de que ele possa vir a fazer parte do governo, até como ministro da Economia”, disse o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, para quem o apoio é visto como sinal de pragmatismo econômico de um eventual governo petista, reduzindo as chances de medidas heterodoxas e populistas.

Em entrevista ao Broadcast Político, Meirelles desconversou sobre a possibilidade de retornar à Esplanada dos Ministérios, mas admitiu que “se Lula quiser, no momento adequado, conversar comigo, darei minhas opiniões”. Presidente do Banco Central no governo Lula, ele defendeu os resultados da política econômica petista e garantiu que Lula “cumpriu o combinado” ao longo dos dois governos.

A ponta curta, no entanto, oscilou entre margens estreitas, na medida em que o investidor prefere aguardar o comunicado do Copom para ajustar suas posições. A aposta majoritária é de Selic estável em 13,75%, mas não é desprezível a parcela que conta com um “ajuste residual”, como os próprios dirigentes do BC admitiram semanas atrás.

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Mesmo em caso de aumento adicional, está mantida a ideia de que o ciclo terá terminado e o mercado vai reforçar o debate sobre o início do período de cortes. Dada a desancoragem das estimativas de inflação, a percepção é de que o comunicado será duro, de forma a dissuadir apostas em alívio monetário já no começo de 2023. “Há dúvida sobre espaço para corte a partir de 2023. Como ainda há muita incerteza, o BC deve ser cauteloso e reforçar o compromisso com o regime de metas até que o cenário de inflação se torne verdadeiramente benigno”, disse, Rostagno, que acredita em Selic estável na quarta.

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