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Mercado

Por que o mercado financeiro está apreensivo com a reunião do Fed

A instituição tenta atenuar a inflação acima do esperado nos EUA

Por Joe Rennison, The New York Times

21/09/2022 | 4:02 Atualização: 21/09/2022 | 11:43

Fed tenta atenuar a inflação acima do esperado (Foto: Envato Elements)
Fed tenta atenuar a inflação acima do esperado (Foto: Envato Elements)

Jerome Powell será linha-dura ou apaziguador quando o Federal Reserve (Fed) se reunir nesta quarta-feira (21)? O clima entre os investidores daqui para frente, já azedado após o tumulto no mercado de ações na semana passada, depende da resposta a essa pergunta.

Leia mais:
  • O que esperar das decisões sobre juros na ‘superquarta’
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  • Stuhlberger: Taxa de juros real de equilíbrio está mais perto de 4%
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Não será uma surpresa para Wall Street se o Fed anunciar outro aumento enorme da taxa de juros, já que a instituição tenta atenuar a inflação acima do esperado. Veja o que esperar das decisões sobre juros nesta ‘superquarta’.

Também não será surpresa se as projeções econômicas do banco central americano profetizarem ser pouco provável que a nuvem cinzenta pairando sobre os mercados desapareça tão cedo. Investidores de destaque e líderes empresariais já soaram o alarme.

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Em vez disso, é provável que o foco esteja nos comentários de Powell, que serão analisados em busca de pistas quanto ao rumo esperado por ele para a economia e as taxas de juros – e, consequentemente, os mercados financeiros.

A reunião do Fed é importante “pelo que poderia significar para o direcionamento do mercado de ações para o resto do ano”, disse Kristina Hooper, estrategista-chefe de mercado global da Invesco. “O Fed tem sido o principal direcionador do mercado de ações este ano, e isso tem sido em grande parte ruim.”

Se Powell parecer “linha-dura” – exigindo mais restrições para a economia por meio de taxas de juros maiores, mesmo que isso signifique correr o risco de entrar em uma recessão –, os preços das ações provavelmente vão despencar mais. No entanto, se ele for visto como inesperadamente “apaziguador”, sugerindo que a inflação está sob controle e que a redução das taxas de juros talvez seja possível em breve, há boas chances de os mercados financeiros se animarem.

Os analistas do mercado não estão otimistas.

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“Ele não pode soar apaziguador. Ele não vai parecer apaziguador”, disse Mark Cabana, estrategista de taxas de juros do Bank of America. “Ele vai se manifestar como alguém que está bastante empenhado em garantir a estabilidade dos preços e fazer o que for preciso para conseguir isso.”

O S&P 500 fechou em alta de 0,7% na segunda-feira (19), após oscilar entre discretas altas e baixas ao longo do pregão. O índice de referência das ações estava saindo de uma das piores semanas do ano, quando caiu quase 5%. Já havia sido um verão instável para as negociações, durante o qual uma recuperação do mercado de ações se mostrou passageira, já que os investidores se tornaram menos otimistas de que a economia ficaria melhor nos próximos meses.

Um fator para o clima sombrio nos mercados foi a recente divulgação dos dados do Índice de Preços ao Consumidor, o indicador de inflação mais utilizado, cujos números sugerem que os preços continuam mais altos que o esperado. Os preços ao consumidor subiram 8,3% ao longo do ano até agosto, ante 8,5% ao longo do ano até julho, porém acima dos 8,1% esperados pelos economistas. Na prática, as variações dos preços mês a mês aumentaram lentamente.

Como consequência, os investidores esperam que o Fed precise elevar ainda mais as taxas de juros e mais rápido do que planejavam para desacelerar a economia e controlar os preços. Mas o outro lado dessa perspectiva é que as empresas e os consumidores estão encarando gastos maiores.

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O rendimento dos títulos do Tesouro americano de dois anos, que é afetado pelas mudanças na política do Fed, subiu segunda-feira para 3,95%, atingindo sua maior alta desde 2007 e mantendo um desempenho digno de nota desde o início do ano, quando estava abaixo de 0,75%. Os rendimentos maiores acabam indo para as hipotecas, os cartões de crédito, as solicitações de empréstimos para empresas e outras despesas com empréstimos, prejudicando a atividade econômica.

Com base nos preços dos contratos futuros, que indicam a expectativa dos investidores em relação aos aumentos das taxas de juros, a maioria deles ainda espera que o Fed mantenha um aumento de 0,75 ponto percentual na quarta-feira (21). Entretanto, um número menor de investidores está apostando em um aumento de um ponto percentual, que seria o maior anunciado pelo Fed desde 1984 e provavelmente resultaria em uma queda brusca das ações.

Na semana passada, analistas da holding financeira japonesa Nomura previram que o Fed aumentaria as taxas de juros em um ponto percentual, dizendo que os números da inflação ainda elevados exigem uma resposta mais “contundente” dos formuladores de políticas.

Outros bancos centrais adotaram medidas semelhantes, ou estão considerando tomá-las. O Bank of Canada aumentou suas taxas de juros em um ponto percentual em julho. Alguns banqueiros preveem que o Riksbank, o banco central sueco, talvez aumente suas taxas de juros em um ponto percentual na semana passsada.

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E enquanto a maioria dos investidores ainda espera um aumento de 0,75 ponto percentual do Fed na quarta-feira, o mercado de futuros mostra que os investidores se ajustaram rapidamente à ideia de que mais aumentos das taxas de juros estão por vir, esperando um pico entre 4,25% e 4,5% no próximo ano, antes de começar a cair até o fim de 2023.

Para entender melhor a situação – e não apenas com base nos comentários de Powell –, os investidores também vão analisar as mudanças no “gráfico de pontos” do Fed, nome dado à coleção de pontos criada ao delinear as previsões das taxas de juros dos formuladores de políticas individuais em um gráfico.

Os investidores vão procurar sinais de que o Fed está disposto a manter as taxas de juro elevadas para combater a inflação, mesmo prevendo uma desaceleração do crescimento econômico, aumentando o risco da economia entrar em uma recessão.

“Este não é um cenário positivo”, disse Guy LeBas, estrategista-chefe de renda fixa do Janney Capital Management. “É um sinal, em teoria, de que o Federal Reserve está priorizando a inflação em detrimento do crescimento econômico e que continuará fazendo isso durante um tempo.”

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