A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2024 encerrou em 12,78%, de 12,863% ontem no ajuste e a do DI para janeiro de 2025 caiu de 11,717% para 11,58%. O DI para janeiro de 2027 encerrou em 11,535%. Ao longo de setembro, as taxas que mais caíram foram as intermediárias, perto de 40 pontos, em meio ao debate sobre o timing de queda para a Selic após o fim de ciclo de alta.
De maneira geral, o mercado de juros resistiu bem ao exterior negativo nesta sexta-feira, por sua vez na esteira do desconforto com dados dos gastos com consumo americano em agosto, inflação recorde na zona do euro e aumento da tensão geopolítica, com a Rússia confirmando a anexação de quatro regiões ucranianas. Internamente, o mercado ficou em compasso de espera pelo primeiro turno, com o debate ontem entre os candidatos a presidente tendo efeito neutro na curva. Porém, a informação sobre Meirelles, publicada pela coluna Radar Econômico, no site da revista Veja, colocou as taxas em rota de queda.
O economista-chefe do Modalmais, Felipe Sichel, afirma que, diante da falta de clareza sobre a equipe econômica e detalhes do plano de governo numa eventual gestão do PT, a especulação em torno do nome do ex-ministro de Temer e ex-presidente do Banco Central no governo Lula, acaba fazendo preço. “No limite, a indicação dele seria uma sinalização mais para o centro, dada a sua postura moderada, reduzindo riscos mais heterodoxos”, diz. Meirelles, porém, negou ter sido convidado. “Não conversamos ainda. Portanto, não recebi convite”, afirmou ao Broadcast Político o ex-ministro. Ele comentou que o mais importante agora é votar e aguardar se a eleição será decidida no primeiro turno, destacando que sempre teve “relação muito boa com Lula e Mercadante”. De todo modo, depois da negativa, as taxas desaceleraram o ritmo de queda, em movimento que coincidiu com a virada dos rendimentos dos Treasuries para cima, com a taxa de 10 anos rompendo 3,80% e a de dois anos mirando 4,25%.
A sexta-feira teve agenda carregada, mas sem força para influenciar os negócios, com dados do setor público e desemprego na Pnad Contínua. O mercado também digeriu sem sobressaltos as declarações da diretora de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central, Fernanda Guardado, que votou no Copom por um aumento da Selic de 25 pontos-base. Durante participação no HSBC’s virtual Global Emerging Markets Fórum, ela afirmou que o BC ainda não está pensando em cortar a Selic e que é necessário observar como será o processo de desinflação.