Durante a Conferência de Observadores, organizada hoje pelo Banco da Inglaterra (BoE), a dirigente afirmou que vê espaço “limitado” para reduzir o ritmo do aperto monetário na zona do euro. Nas suas duas últimas reuniões, o BCE optou por elevações de 75 pontos-base. Segundo Schnabel, as expectativas inflacionárias de domicílios têm mostrado uma “notável ascensão”, e os juros precisarão subir mais, “provavelmente a território restritivo”.
Para ela, o maior riscos aos BCs no momento é basear sua política monetária em um “falso pressuposto de que a inflação terá um rápido declínio”, após algumas pressões relacionadas à guerra na Ucrânia e outros fatores externos reduzirem. A economista alemã ainda alertou que os juros reais seguem majoritariamente negativos na zona do euro, o que indica que a política monetária segue “muito acomodatícia”.
Schnabel também alertou contra medidas fiscais cujos efeitos podem alimentar mais a inflação a médio prazo, como “tetos de preços apertados e subsídios de base ampla”. Recentemente, países do G7 e da União Europeia (UE) têm discutido impor um limite aos preços do petróleo da Rússia, após impor medida similar ao gás do país. Além disso, Alemanha, França e outras nações do bloco monetário adotaram subsídios à energia elétrica, após a escalada dos preços do gás na Europa.
Com este apoio fiscal amplo, o juro poderá ter de subir a um nível acima do que seria considerado adequado, de acordo com a dirigente. “Os governos precisam internalizar os efeitos de suas ações sobre a inflação futura e a política monetária”, recomendou. De qualquer forma, o BCE deve seguir “firmemente focado em restaurar a estabilidade de preços o mais rápido possível”, defendeu Schnabel.