Pela manhã, a divisa até ensaiou uma alta modesta, interrompendo a sequência de dois pregões seguidos de queda. Passada a volatilidade gerada pela disputa pela formação da última Ptax de novembro na primeira etapa de negócios, contudo, o dólar perdeu força e adentrou a tarde em baixa moderada, trabalhando ao redor de 5,27. Esse movimento se dava em linha com a tendência predominante de enfraquecimento da moeda americana frente a divisas de exportadores de commodities, ainda sob efeito da possibilidade de que a China relaxe a política de Covid zero.
O dólar renovou sucessivas mínimas a partir de 15h, com a confluência de fatores internos e externos. Por aqui, pesou a informação, apurada pelo Broadcast Político com fontes, de que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), disse ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, em reunião em Brasília, que a proposta original da PEC da Transição – com gastos de R$ 198 bilhões fora do teto e prazo de quatro anos – não passa no Congresso. Assessoria de imprensa de Lira confirmou o encontro com Lula, mas disse que as informações publicadas “não condizem com a verdade”.
À redução de percepção de risco fiscal doméstico se somou o tombo da moeda americana frente a divisas fortes e a alta das bolsas em Nova York, após o presidente do Fed confirmar a possibilidade de redução do ritmo de alta da taxa de juros nos Estados Unidos a partir do próximo mês.
Com mínima a R$ 5,1966, registrada nos minutos finais da sessão, a moeda encerrou o dia em baixa de 1,63%, cotada a R$ 5,2016 – menor valor desde o último dia 9 (R$ 5,1821). Com uma sequência de três pregões seguidos de baixa, o dólar agora acumula perdas de 3,86% na semana. Com isso, a divisa termina novembro com ganhos de apenas 0,69%.
Segundo um economista-chefe de um banco brasileiro, que pediu anonimato, o mercado começa a retomar a tese, que vicejou logo após o primeiro turno das eleições, de que Congresso vai podar as iniciativas mais arrojadas do governo eleito. “Apesar de toda a crítica ao orçamento secreto, o governo vai ter que ceder ao Lira, que manterá um poder de barganha imenso. O Congresso ainda vai tentar manter o protagonismo que ganhou com a falta de iniciativa de Bolsonaro”, afirma.
No exterior, o índice DXY – que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes – afundou à tarde e registrou mínima abaixo da linha dos 106,000 pontos, com perdas fortes em relação ao euro e ao iene.
Em sua fala, Powell afirmou que o BC americano não quer “apertar demais” as condições financeiras porque reduzir a taxa de juro não é algo que a instituição deseja fazer em breve. “Então, é por isso que estamos desacelerando”, disse.
Mais cedo, dados do relatório ADP mostram que o setor privado dos Estados Unidos criou 127 mil vagas de emprego em novembro, bem abaixo da expectativa dos analistas, de geração de 190 mil postos de trabalho. Foi a maior desaceleração desde janeiro de 2021. Esses dados aumentam a expectativa para a divulgação na sexta-feira, 2, do relatório de emprego (payroll) de novembro.
A especialista em renda fixa da Blue3, Fernanda Bandeira, ressalta que os dados do ADP e as palavras de Powell reforçaram a possibilidade de que o Fed realmente comece a desacelerar o ritmo de alta dos juros nos EUA. “O mercado se animou com Powell. O Fed ainda não está com discurso dovish, mas aumenta o sentimento é de que os juros já não vão subir com tanta intensidade nos EUA”, afirma Bandeira.