A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2024 encerrou em 14,06%, de 13,980% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2025 subiu de 13,41% no ajuste para 13,65%. O DI para janeiro de 2027 saltou de 13,11% para 13,33%.
O volume de contratos movimentados foi novamente expressivo, reflexo de zeragem de posições e aumento da postura defensiva na medida em que vai se desenhando um perfil desenvolvimentista na equipe econômica e nomes na linha mais liberal vão sendo descartados. O anúncio de Galípolo como número 2 da Fazenda, abaixo de Haddad, já zerou o sinal de baixa que as taxas exibiam pela manhã em sintonia com a curva americana, por sua vez, em reação ao CPI de outubro, de 0,1%, ante consenso de 0,2%. O núcleo (0,2%) também subiu menos do que o esperado (0,3%).
O economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, Gino Olivares, destaca que Galípolo é “muito próximo” ao economista Luiz Gonzaga Belluzzo, cuja linha vai na contramão do que o mercado defende. “O secretário-executivo é quem vai tocar o dia a dia da Fazenda. Vamos ver quem será o secretário responsável pela formulação das políticas, é um cargo-chave. Frustraria muito alguém não-alinhado ao mercado”, afirmou.
Haddad, que deve divulgar mais nomes em entrevista coletiva marcada para as 18h30, disse ontem querer uma “pluralidade de vozes no Ministério”. A reação da curva à confirmação de Mercadante no BNDES foi feroz. Mercadante falou recentemente em “abrasileirar” os preços da Petrobras e prega mudanças na Taxa de Longo Prazo (TLP), que o Banco Central diz ter ajudado a aumentar a potência da política monetária nos últimos anos.
Para o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, se o BNDES adotar crédito subsidiado ou o novo governo acabar substituindo a TLP pela antiga TJLP, há um risco de aumento da taxa neutra de juros no País. “Junto com a questão fiscal mal resolvida, o governo Lula está caminhando para ser um governo no qual o juro neutro fica maior”, afirma.
Pela manhã, a ata do Copom alertava que “mudanças em políticas parafiscais ou a reversão de reformas estruturais podem reduzir a potência da política monetária, caso levem a uma alocação menos eficiente de recursos na economia”. “Nos diferentes exercícios analisados, avaliou-se que o efeito final, seja sobre a inflação ou sobre a atividade, dependerá tanto da combinação quanto da magnitude das políticas fiscal e parafiscal”, acrescentou o BC.
Ainda na ata, o BC diz ver um “hiato do produto” reduzido e ter notado “com preocupação” elevação na média das expectativas para 2024. “O Copom está descrevendo um cenário de pouca ociosidade na economia e pouca credibilidade na sustentabilidade da dívida que deve tirar potência da política monetária. O recado foi muito claro”, diz Olivares.
Tudo considerado, a leitura é que, mesmo com a inflação caindo, os riscos fiscais devem postergar o ciclo de afrouxamento monetário e a Selic deve permanecer em 13,75% por longo período.
Na agenda, a queda de 0,6% no volume de serviços em outubro, na margem, trouxe alívio moderado nas taxas no começo da sessão, com o mercado mais interessado nos nomes do governo e à espera do CPI americano.