Mesmo com o cenário mais difícil, os quatro grandes bancos de capital aberto devem ter expansão do lucro no ano que vem. Entre as previsões, a XP projeta lucro líquido de R$ 35,8 bilhões para o Itaú em 2023, alta de 14,8% na comparação ao projetado para este ano. O preço-alvo da ação é R$ 34,00, potencial de valorização de 35% em relação à cotação atual.
No caso do BB, os analistas alertam que a mudança política em Brasília pode provocar volatilidade no papel, mas com as ações em desconto importante, ainda veem potencial de alta. A expectativa é de que o BB lucre R$ 32,6 bilhões em 2023, com preço-alvo para a ação de R$ 61,00, com potencial de valorização de 73% em relação às cotações atual, o maior entre os quatro grandes bancos.
Para Bradesco e Santander, a recomendação da XP é “neutra”. No Bradesco, a estimativa é de lucro de R$ 25,3 bilhões no ano que vem e preço-alvo de R$ 18,00, com chance de valorização de 19%. Para o Santander, a projeção é de lucro de R$ 14 bilhões e preço-alvo de R$ 34,00, com potencial de ganho de 20%.
Os grandes bancos, observa a XP, já se prepararam nos últimos trimestre para um ambiente mais desafiador, de juros em dois dígitos e menor crescimento da renda das famílias, fatores que ajudam a elevar a inadimplência, o que de fator vem se verificando nos últimos períodos. E essa cautela deve prosseguir em 2023, com os bancões mantendo o pé no freio quando o assunto é dar crédito, destacam os analistas Renan Manda e Matheus Guimarães, em relatório.
A previsão é que as carteiras de empréstimos devem crescer em ritmo mais moderado e com menor risco, em uma tentativa de segurar a alta da inadimplência. A XP acredita que o pico dos calotes pode se dar na primeira metade de 2023.
Para o BB, por exemplo, a nova projeção é que o banco público termine o ano que vem com carteira de crédito de R$ 1,020 trilhão, ante R$ 1,110 trilhão da estimativa anterior. Já a taxa de inadimplência acima de 90 dias foi revisada de 2,9% para 2,7%.
No Bradesco, a projeção da carteira de empréstimos para o ano que vem baixou de R$ 1,023 trilhão para R$ 983 bilhões. Mas ao contrário do BB, a estimativa para a inadimplência em 2023 subiu de 3,6% para 4,5%. Nesse ambiente, o retorno (ROE) esperado do Bradesco caiu de 18,2% para 15%.
Já no Itaú a projeção de carteira de crédito foi revista para cima, de R$ 956 bilhões para R$ 1,023 trilhão no ano que vem, com taxa de inadimplência devendo ficar em 3,1%, de 3,2% previsto anteriormente. O ROE deve ficar em 20,3%, ante 20,1% da estimativa anterior.