Os investidores internacionais permanecem receosos em meio a temores persistentes sobre a possibilidade de uma recessão nos Estados Unidos e outras grandes economias como resultado da tendência de aperto monetário. Os principais bancos centrais mundiais seguem elevando juros de forma agressiva para combater pressões inflacionárias. Além disso, a China continua requerendo atenção, dados os novos surtos de infecções da Covid-19, apesar de o país seguir relaxando sua política contra a doença.
A expectativa de abertura positiva em Wall Street e a sinalização de que o futuro governo adotará uma política econômica moderada podem animar o mercado doméstico no último pregão de 2022. Só que mesmo assim, o Ibovespa tende a encontrar dificuldade para encerrar dezembro no positivo – até agora acumula queda de 2% –, mas encerrará o ano no azul, depois da perda de 11,93% em 2021.
A queda das commodities pode limitar eventual elevação do índice da B3, que ontem fechou com valorização de 1,53%, retomando os 110 mil pontos (110.236,71 pontos). E não se pode descartar volatilidade, a depender dos nomes que possivelmente Lula anunciará hoje para o comando de Petrobras (PETR3 e PETR4), Banco do Brasil (BBAS3) e Caixa Econômica Federal (CEF).
Além do quadro interno, o dólar tende a se beneficiar do exterior, mas deve fechar 2022 com desvalorização, enquanto nos juros futuros o avanço do IGP-M em dezembro pode exibir alguma cautela.
Agenda
A FGV divulgou o IGP-M de dezembro e de 2022, com altas de 0,45% e 5,45%, respectivamente. A mediana das estimativas na pesquisa Projeções Broadcast era de alta de 0,58% no mês e de 5,60% no ano. O BC informa os dados do Setor Público Consolidado de novembro (9h30) e fará oferta de até R$ 4 bilhões em títulos públicos em operação compromissada. Nos EUA, saem hoje os pedidos semanais de auxílio-desemprego.
Fique de olho…
BRF
A BRF (BRFS3) celebrou ontem um acordo de leniência (espécie de delação premiada para empresas) com a Controladoria Geral da União (CGU) e a Advocacia Geral da União (AGU) no processo de investigação interna promovido pela companhia, a partir de 2018, com o objetivo identificar condutas praticadas no passado por funcionários da empresa. A empresa se comprometeu a pagar à União R$ 583.977.360,48, divididos em cinco parcelas anuais, com início em 30 de junho de 2023.
Ontem, as ações da BRF subiram 7,93%, liderando os ganhos do Ibovespa do meio até o fim da sessão.
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Petrobras
A Petrobras dá início à fase vinculante referente à venda de sua rede de fibra óptica onshore – mais detalhes aqui. As principais etapas subsequentes do projeto serão informadas oportunamente ao mercado, segundo a companhia.
Tecnisa
A Tecnisa (TCSA3) anunciou a 15ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, da espécie quirografária (que não usufrui de prioridades), no montante de R$ 120 milhões, com valor nominal unitário de R$ 1.000. As debêntures terão prazo de vencimento em 13 de dezembro de 2028. Mais detalhes, nesta reportagem.
Cosan
A Cosan (CSAN3), no contexto da aquisição de participação na Vale (VALE3), comunicou que o Itaú subscreveu R$ 4,115 bilhões em ações PN da Cosan Nove, o que representa aproximadamente 27% do capital social total. Leia mais detalhes aqui.
MRV
A MRV Engenharia (MRVE3) concluiu a venda do empreendimento Oak Enclave, na Flórida (EUA), pelo valor geral de vendas (VGV) de US$ 113 milhões, representando um recebimento líquido de US$ 47,6 milhões, lucro bruto de US$ 26,7 milhões. Confira a matéria completa sobre o negócio.
JBS
Minoritários da JBS (JBSS3) protocolaram reclamação na Comissão de valores Mobiliários (CVM) para exigir que a companhia divulgue mais informações sobre acordo de R$ 500 milhões celebrado com os irmãos Joesley e Wesley Batista. Argumentam que a companhia divulgou apenas o valor, mas não deu detalhes sobre os termos, segundo o jornal O Globo.
EDP Brasil
O Conselho de Administração da EDP Brasil (ENBR3) aprovou o pagamento R$ 664,239 milhões em juros sobre capital prórpio, a R$ 1,15 por ação. Terão direito detentores de ações na data-base de 2 de janeiro de 2023. As ações serão negociadas “ex-JCP”, a partir do dia seguinte, com pagamento em até 31 de dezembro de 2023. Leia a matéria completa sobre a operação.
Cemig
A Cemig (CMIG4) concluiu a alienação da sua participação detida no capital social da Ativas para a Sonda Procwork. O valor desembolsado pela Sonda foi de R$ 60,02 milhões. O negócio foi anunciado em 16 de novembro. Veja os detalhes da operação aqui.
CCR
A CCR (CCRO3) celebrou o termo aditivo ao contrato de concessão de parceria público-privada (PPP) para implantação e operação do sistema metroviário de Salvador e Lauro de Freitas, entre sua controlada direta, o Metrô Bahia, e o Estado da Bahia.
Atvos e bancos
O imbróglio envolvendo o controle da Atvos se resolveu ontem em uma reunião dos bancos credores, segundo fontes ouvidas pelo Broadcast. Com aprovação pela maioria dos votantes, o Mubadala, fundo soberano de Abu Dhabi, passou a ser o novo controlador da companhia e, em troca, se comprometeu a colocar R$ 500 milhões na gigante do etanol. Os principais bancos credores da Atvos – Banco do Brasil, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Bradesco, Santander e Itaú – votaram a favor da mudança.