“O mercado avalia isso positivamente”, reforça Dennis Esteves, especialista em renda variável da Blue3. Já em Nova York, os índices futuros tentam alta discreta.
“Ainda é bem visto o fato de que a Petrobras está afirmando que manterá os preços competitivos em equilíbrio com o mercado. Dá uma boa interpretação de que não haverá interferência nos preços”, diz Esteves.
A tentativa de alta das bolsas do ocidente e a valorização do petróleo no exterior também reforçam os ganhos do Ibovespa, de forma a atenuar as perdas no último pregão do mês. Até agora, acumula desvalorização de cerca de 6% no período. Enquanto isso, o mercado espera os detalhes do governo sobre a reoneração dos combustíveis.
A agenda está relativamente esvaziada. Nos Estados Unidos, os destaques são dados de atividade, que poderão ajudar nas estimativas para os juros do país. Isso porque a inflação segue resistente por lá e na Europa, elevando a possibilidade de taxas maiores por mais tempo. Por aqui, saiu a taxa de desemprego no trimestre até dezembro (de 7,9%, igual à mediana). “É uma boa notícia e ajuda algumas ações de varejo na Bolsa”, afirma Esteves, da Blue3.
Agora, os investidores aguardam o desfecho da reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com ministros e o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates.
Ontem, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou a Lula um modelo que institui a volta da tributação sobre combustíveis, a partir desta terça, no qual a gasolina é mais onerada do que o etanol. “A decisão mostra que Haddad ganhou a briga, que venceu o parecer técnico, o que é positivo, é bom para a credibilidade dele e para o fiscal. Do lado negativo, o ministro sinalizou que quem vai pagar a conta será a Petrobras. Isso é ruim, sugere direcionamento de intervirem na empresa”, avalia o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus. Haddad sinalizou ontem que a reoneração dos combustíveis pode ser compensada com uma redução no preço da gasolina e do álcool pela Petrobras.
Hoje, em nota, a companhia reiterou o compromisso com a prática de preços competitivos e em equilíbrio com o mercado. A empresa afirmou que evita repasse imediato de volatilidade externa e câmbio por eventos conjunturais.
De todo modo, o mercado seguirá de olho em possíveis alterações de preços. Duvidas como essas podem impedir alta do Ibovespa. Além disso, hoje termina o mandato de dois diretores do Banco Central (BC) e ainda não há indicações para os cargos, destaca o economista Álvaro Bandeira.
Aqui, acrescenta o também consultor de finanças, há outras preocupações como a desaceleração do crédito e piora da inadimplência. “O Ibovespa tem espaço para recuperar perdas, mas as incertezas podem barrar essa expectativa”, diz Bandeira em comentário matinal.
Ontem, o índice Bovespa fechou em queda de 0,08%, aos 105.711,05 pontos. Conforme Bandeira, o indicador não deveria perder o nível dos 105 mil pontos sob pena de buscar marcas menores, como a da faixa dos 103 mil ou menos.
Na seara corporativa, os balanços ficam no radar. O Grupo Pão de Açúcar (GPA) registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 1,102 bilhão no quarto trimestre de 2022, revertendo lucro de R$ 777 milhões apurado um ano antes. As ações caíam 4,42% às 11h16. O
Ibovespa subia 0,69%, aos 106.440,44 pontos.