“Não vejo ramificações que vão além do que estamos vendo agora”, afirmou Tolda em evento organizado pela Latitud, ecossistema para startups da América Latina em estágio inicial. De acordo com ele, os reguladores e o sistema se movimentaram rápido e a agilidade do Fed, o banco central norte-americano, dá confiança de que crise não é nos moldes de 2008. No domingo, após pressão, o Fed anunciou que cobriria depósitos dos clientes do SVB. Na sexta-feira (10), reguladores fecharam o banco em menos de 48 horas após o início dos problemas.
Em meio a muitas perguntas de investidores e empreendedores sobre os riscos gerados pela rápida quebra do banco americano, Tolda lembrou que o processo que levou a falência do SBV começou no ano passado, quando o Fed começou a subir os juros de forma acelerada e houve queda nas captações de dinheiro novo, por conta da percepção de que haveria restrição de liquidez no mercado. “Se a mensagem não estava clara, está mais clara agora, para todos”, disse.
Embora ele não veja uma crise sistêmica acontecendo, Tolda diz que a ruptura do SBV traz um alerta sobre como administrar caixa e levantar dinheiro novo. “Ter um bom plano para a necessidade de caixa nos próximos 12 meses e diversificação”, aconselhou. Muitas startups e fintechs tinham o SBV como única instituição para operar seus negócios, inclusive de outros países como México e Brasil.
Tolda lembrou que a crise da bolha da internet, em 2000, trouxe muitos desafios ao Mercado Livre, que ainda não era listada em bolsa. “Ao tomarmos uma nova rodada de recursos, os investidores nos alertaram de que seria a última para tornar a empresa rentável”, contou. De acordo com ele, esse foi um alerta importante, porque mostrou a empresa que precisavam focar em rentabilidade.
Na crise de 2008, já com a companhia listada e capitalizada, Tolda disse que a opção foi preservar caixa, depois de anos administrando a companhia com os recursos da oferta em bolsa e com seus próprios resultados.
Para trazer otimismo aos ouvintes da conferência, Tolda lembrou que as crises não duram para sempre e que o importante é pensar no negócio no longo prazo, já que quando se empreende a proposta é realizar projetos duradouros. “As companhias continuarão existindo e essa será uma história para contar no futuro”, disse ainda.