Segundo o relator da CPI, o deputado federal Carlos Chiodini (MDB-SC), o trio deve ser ouvido durante a investigação conduzida pelos parlamentares. Mas, para isso, é preciso que seja aprovado o requerimento que pede a convocação deles – nominalmente. A solicitação deve ser votada na reunião da Comissão da próxima semana.
“Todos os membros [da CPI] estão fazendo requerimentos sugerindo ou convocando as pessoas para depor, que vão ser apreciados na próxima reunião. Só que esses requerimentos são pautados pelo presidente, o deputado Gustinho Ribeiro, e votado pelos membros. Não é uma missão minha apontar esse ou aquele, isso vai ser decidido em conjunto”, afirmou Chiodini.
Segundo o relator, que elaborou o plano de trabalho da comissão, o roteiro lista os convocados de forma genérica, com exceção de alguns ex e atuais executivos da empresa. “O plano de trabalho é genérico e temático. Os nomes deles e de tantos outros serão discutidos em conjunto”, afirmou.
O deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA), autor do requerimento que pede para os três empresários serem ouvidos, disse que “vai cobrar” a aprovação da solicitação. “Não admitirei encobrir para debaixo do tapete. Vai ter que incluir os acionistas“, disse, ao Broadcast.
Para Bacelar, o nome dos três já deveria estar no plano inicial de trabalho. “Era para ter citado [no roteiro], até porque eles são protagonistas do processo. São os acionistas que sabem se teve maqueamento de balanço”, completou.
Apesar de o documento do plano de trabalho não incluir expressamente os nomes de Lemann, Sicupira e Telles, ele cita que devem ser convocados “acionistas de referência da Americanas”, bem como “representantes de associações de promoção e defesa dos direitos de acionistas minoritários” e debenturistas.
Alguns dos requerimentos apresentados por outros deputados membros da CPI são a convocação de representantes dos bancos credores da Americanas, como Bradesco, Santander, BTG Pactual, Itaú, Safra, Caixa e Banco do Brasil.
A CPI foi aberta no Congresso, na semana passada, para investigar inconsistências contábeis da ordem de R$ 20 bilhões da empresa, antes de ela entrar com a recuperação judicial na Justiça do Rio de Janeiro.