Os ativos internacionais operam com moderação e sem uma direção única, um dia após o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) manter seus juros, como era amplamente esperado, mas também sinalizar aumentos até o fim deste ano.
Os índices futuros de ações em Nova York caem após Wall Street fechar com sinais divergentes, ontem. O anúncio do Fed impôs volatilidade aos negócios, mas houve certo alívio depois que o presidente do banco central americano, Jerome Powell, esclareceu que uma decisão para a reunião de julho ainda não foi tomada. Agora, os investidores avaliarão os números do varejo e da indústria norte-americana, que podem ajudar a balizar as expectativas para os juros.
As bolsas europeias operam sem direção única e com variações leves à espera de decisão de juros do BCE, que deve elevar a taxa em mais 25 pontos-base, uma vez que a inflação na zona do euro segue muito acima da meta oficial de 2%, ainda que tenha desacelerado significativamente desde o pico que atingiu em outubro do ano passado. Já os juros dos Treasuries, o DXY de dólar e o petróleo sobem.
Na Ásia, as bolsas fecharam em lados distintos depois da divulgação de dados de atividade da China mostrarem fraqueza econômica, sugerindo que Pequim seguirá adotando medidas de estímulos.
No Brasil
A queda da maioria dos índices de ações no exterior pode promover algum ajuste nos ativos domésticos, embora as expectativas de que a China continuará adotando medidas para estimular sua economia atenuem essa ideia, principalmente para o Ibovespa.
Da mesma forma, os mercados ainda tendem a seguir reagindo positivamente à decisão da S&P Global. Ainda com os negócios funcionando, ontem a agência surpreendeu ao revisar de estável para positiva a perspectiva do rating BB- do Brasil, levando à queda do dólar e dos juros futuros e à alta do Ibovespa, que fechou em 119.068,77 pontos, em alta de 1,99%, no maior valor de fechamento desde 21 de outubro.
A decisão também foi comemorada pelo governo, reforçando sua cobrança para queda da Selic. O anúncio tende a atrair mais investimentos e acelerar as pautas do Executivo no Congresso, segundo analistas. Ao comentar mudança do rating, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que os Três Poderes se harmonizaram e que agora falta o Banco Central )BC) se somar a esse esforço.
Agenda
O Banco Central Europeu (BCE) divulga sua decisão sobre juros (9h15), seguida de coletiva com a presidente da instituição, Christine Lagarde. Nos Estados Unidos, saem os dados de maio para varejo (9h30) e produção industrial (10h15).
No Brasil, será divulgado o volume de serviços em abril, que deve desacelerar. O Tesouro faz leilão de prefixados. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) faz a terceira reunião ministerial do governo.
*Com informação do Broadcast