Apesar desta evolução na forma que o segmento é visto, Constantini aponta para o desafio de educação do cliente para que a barreira do viés geográfico seja transposta. “Home bias, a tendência de investir mais perto de casa, é uma tendência evolutiva. É muito mais confortável investir em que você já conhece. Mas do ponto de vista de diversificação isso é um erro.”
O Itaú recomenda aos seus clientes de varejo alocação de 11% a 27% do portfólio em ativos internacionais. Para a aceitação desta orientação, Constantini enxerga que há uma jornada de educação dos clientes a ser percorrida. Segundo o executivo, o segmento private está com até três vezes mais do que esta fatia. “O cliente que já é mais familiarizado com os termos de investimento no exterior está mais à frente para cruzar a ponte de diversificação.”
Roberto Lee, presidente-executivo da Avenue, diz que o perfil de clientes da corretora passou do jovem investidor para o mais velho e mais conservador, que busca aplicações nos EUA como forma de proteger patrimônio. Há dois anos quem adotava o mercado internacional era o investidor jovem. Agora o que vemos é o foco em ir para fora com objetivo de preservação de capital, e o crescimento maior é no perfil conservador”, disse.
Para encarar o investimento lá fora como estrutural, é fundamental o desprendimento da preocupação com o acerto no momento do câmbio, aponta Constantini.
A Avenue faz o prognóstico que o volume de patrimônio de investidores brasileiros no exterior pode chegar a US$ 200 bilhões nos próximos anos. Neste olhar à frente, Lee observa que a taxa de juros no Brasil em alta é um fator de desacelera o aumento desta fatia levada para além da fronteira. “O próximo ciclo de queda de juros aqui, se mantendo as condições atuais, deve levar a uma aceleração tremenda da migração de uma parte das carteiras para investimentos nos EUA.” Outra tendência que ele aponta é que a adoção internacional seja mais por ativos de renda fixa do que renda variável.