Segundo o BB, os resultados operacionais da Petrobras no período trouxeram números “robustos” no segmento de exploração e produção. Mas os dados do refino foram “mais fracos”, com queda nas vendas de derivados, sobretudo o diesel, cujas vendas retraíram 6,6% ante o trimestre anterior, em função da sazonalidade do consumo (plantio da safra de grãos, sem grande movimentação de caminhões). Ainda assim, no conjunto do ano, o BB definiu os dados de ambas as unidades de negócio como “excelentes”.
No relatório, o analista Daniel Cobucci destaca o aumento na produção do pré-sal, que subiu 3,5% nos últimos três meses do ano ante o trimestre anterior, mas saltou nada menos que 18,2% ante o mesmo período de 2022. Em todo o 2023, a Petrobras teve produção 10,2% maior no pré-sal que a de 2022.
“O desempenho operacional da Petrobras em 2023 reflete uma estratégia de fortalecimento de pontos fortes, como a continuidade do crescimento na produção do pré-sal e no aumento da capacidade de refino, o que fica evidente nos recordes atingidos na produção de óleo e gás e na ampliação das taxas de utilização das refinarias”, anota Cobucci.
Aumento na utilização de refinarias
De fato, o Fator de Utilização Total (FUT) das refinarias da Petrobras ficou em 92% na média de 2023, alcançando 96% no terceiro trimestre e fechando os três últimos meses do ano em 94%. Um ano antes, o FUT havia sido de 86% e, na média de 2022, de 88%.
O salto de 4 pontos porcentuais na passagem de 2022 para 2023 resultou em um crescimento de 2% na produção total de derivados nessa comparação, permitindo uma redução nas importações, observou Cobucci.
Desafios
Segundo o BB, os desafios da Petrobras para 2024 passam pela “boa execução nos investimentos“, seja em E&P, seja na construção do prometido portfólio de renováveis, além da ampliação da capacidade de refino, com a ampliação da Rnest, em Pernambuco, e do biorefino.
“Esperamos que as boas condições persistam caso a companhia mantenha boa aderência aos princípios do plano estratégico 2024-28, notadamente na manutenção de pilares econômico-financeiros, como patamar de endividamento abaixo de US$ 65 bilhões e políticas comerciais e de dividendos, bem como em uma alocação de capital eficiente”, diz Cobucci no documento.
Ele destacou, ainda, os atuais múltiplos da companhia, definidos como “atrativos”, caso da relação entre valor da companhia e geração de caixa (EV/Ebitda), de 2,8 vezes, ante 4,1 vezes na média dos pares globais.