“O hype em torno da IA faz com que, de cara, a empresa e seus fundadores achem que valha 10% a mais”, diz Sullyen Almeida, sócia do fundo de venture capital (que compra participação em empresas) Monashees. Do ponto de vista do investidor que compra a tese inicial e que precisa ter ganhos maiores pelo risco, é um peso logo de saída.
Na mesma linha, também é difícil saber quais áreas serão as ganhadoras dos benefícios trazidos pela IA. Para as empresas de early stage, essa tecnologia traz ganhos reais de produtividade mas é difícil saber, do ponto de vista do investidor, quais alternativas serão capazes de transformar essas mudanças em lucro. “Quando os smartphones surgiram, as primeiras empresas que se valorizaram foram as empresas de telecomunicações, mas não foram elas que acabaram lucrando com o novo mercado“, afirmou Adriano Pitoli, chefe do fundo especializado em govtechs KPTL. “É impossível prever o surgimento de novos mercados.”
Exatamente por isso, diz Marcello Gonçalves, cofundador e sócio gestor da DOMO.VC, os investidores passarão a olhar para essa área com maior profundidade a partir de 2026. “O Brasil não cria a tecnologia de IA, mas soluções para IA”, afirma. Apesar do prazo mais longo de oportunidades, ele diz ser imperativo que as empresas de investimento em estágio inicial coloquem essa alternativa em seus radares.