Ao longo da sessão, o mercado operou com um olho nos Treasuries (títulos de renda fixa de dívida pública do governo norte-americano) e outro no câmbio, com taxas predominantemente em alta. O avanço perdeu força à tarde, na medida em que a moeda aprofundou as perdas ante o real, chegando a neutralizar sobre a curva doméstica o impacto da alta dos retornos dos Treasuries na ponta longa.
No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2026 estava em 11,64%, de 11,51% ontem no ajuste. O DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 11,73% (de 11,66% ontem) e a do DI para janeiro de 2029 estava em 11,85%, de 11,81%.
Em participação do 15º Congresso Brasileiro das Cooperativas de Crédito (Concred), em Belo Horizonte (MG), Galípolo, cotado para assumir a presidência do BC a partir de 2025, disse ouvir muitos economistas preocupados com a possibilidade de a nova diretoria do BC, indicada pelo presidente Lula, passar a ser mais leniente com a inflação e deixar de subir juro, se necessário. Para ele, são legítimas as dúvidas e cabe ao BC conquistar a credibilidade. “A ideia de ser indicado a BC sem possibilidade de aumentar juro não faz muito sentido. Está claro que todos os diretores estão dispostos a fazer o necessário para perseguir a meta”, disse.
A fala do diretor colocou as taxas novamente em trajetória de alta, revertendo a queda que prevalecia também após inversão brusca de sinal. Segundo profissionais da Warren Investimentos, o alívio veio do fluxo do rebalanceamento das carteiras IMA-B, nos vértices 2025 e 2028, diante do vencimento da NTN-B 2024 no próximo dia 15, que deve injetar cerca de R$ 260 bilhões no mercado. Muitos players já estariam se antecipando.
Também não se descarta ter havido uma certa antecipação dos players a uma possível surpresa positiva com o IPCA de julho que sai amanhã. A expectativa é de aceleração de 0,21% em junho para 0,35%, segundo a mediana das estimativas coletadas pelo Projeções Broadcast.
Ao longo do dia, o exterior esteve no foco. “Os juros dos Treasuries estão subindo, o que acaba limitando o efeito do câmbio. Isso dificulta o repasse para os juros locais”, resumiu o economista da MAG Investimentos Felipe Rodrigo de Oliveira.
As máximas na curva foram alcançadas ainda pela manhã, acompanhando a reação dos títulos do Tesouro americano ao número semanal de pedidos de auxílio-desemprego, que caiu a 233 mil, ante expectativa de 240 mil. O indicador se contrapôs ao payroll “fraco” de julho da sexta feira, o que juntamente com a expansão (+0,2%) dos estoques do atacado menor do que a esperada (+0,3%), também divulgada hoje, sugere exagero nos receios de um pouso forçado da economia dos EUA que assolaram os mercados entre o fim da semana passada e o início desta.
A busca por ativos de risco deslocou fluxo dos Treasuries para as bolsas, enquanto o dólar perdeu terreno para divisas mais arriscadas, como o real. À tarde, o dólar furou os R$ 5,60, para fechar em R$ 5,5741. Vale lembrar que no cenário de referência do Copom, cuja projeção de IPCA em 2025 é de 3,6%, o câmbio parte de R$ 5,55.