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Mercado financeiro: quais setores são mais afetados nos cenários de guerras?

Commodities como o petróleo são extremamente sensíveis às tensões geopolíticas

Por Thiago de Aragão

14/08/2024 | 15:31 Atualização: 14/08/2024 | 15:31

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Em um cenário geopolítico de guerra, proteção é o primeiro instinto na carteira de investimentos.(Imagem: Parilov em Adobe Stock)
Em um cenário geopolítico de guerra, proteção é o primeiro instinto na carteira de investimentos.(Imagem: Parilov em Adobe Stock)

As guerras e os conflitos têm um impacto direto nas bolsas de valores, nas commodities e nos investimentos em geral. Em tempos de incerteza global, os mercados financeiros reagem de formas variadas, refletindo as mudanças no cenário internacional e os diferentes riscos envolvidos.

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Um dos setores mais afetados é o de viagens e lazer. A expectativa de queda na demanda por viagens, causada pela incerteza e instabilidade, leva a quedas nas ações de companhias aéreas, hotéis e cruzeiros. Um exemplo recente disso são as perdas significativas nas ações de empresas como Marriott Vacations e Norwegian Cruise Line, que refletem o impacto das tensões globais em seus negócios. Além disso, empresas com operações em regiões de conflito, como Israel, Rússia, Ucrânia e China, enfrentam desafios adicionais, podendo até mesmo levar à liquidação de ativos, como aconteceu com os ETFs russos da VanEck após a invasão da Ucrânia.

Por outro lado, o setor de defesa frequentemente vê um aumento no valor de suas ações durante períodos de guerra. Empresas que produzem equipamentos militares ou prestam serviços relacionados à defesa tendem a se beneficiar da maior demanda por seus produtos. A AeroVironment, por exemplo, viu suas ações crescerem quase 30% recentemente, impulsionadas pela demanda por tecnologia militar em meio aos conflitos atuais.

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As commodities também são extremamente sensíveis às tensões geopolíticas. O petróleo, em particular, reage rapidamente a qualquer instabilidade no Oriente Médio, uma região chave para a produção global de energia. Escaladas na região podem levar a aumentos significativos nos preços do petróleo, o que, por sua vez, pode elevar a inflação global e impactar negativamente o crescimento econômico. Além do petróleo, produtos como trigo, milho e metais preciosos também tendem a aumentar de preço durante conflitos, à medida que os investidores buscam segurança em ativos como o ouro, que historicamente se valoriza em tempos de incerteza.

Apesar dos impactos imediatos das guerras, nem todas as reações dos mercados são negativas. Muitas vezes, as bolsas de valores mostram uma surpreendente capacidade de recuperação após crises. O S&P 500, por exemplo, tende a se recuperar bem no ano seguinte a grandes eventos de crise, desde que não coincida com uma recessão. Isso demonstra que, embora as guerras causem turbulências, o mercado financeiro tem uma grande capacidade de ajuste e busca novos equilíbrios.

No entanto, o cenário atual é particularmente complexo. Conflitos como a guerra entre Israel e o Hamas, juntamente com a guerra na Ucrânia e a deterioração das relações entre os EUA e a China, estão provocando uma volatilidade elevada nos mercados. Isso faz com que investidores adotem uma postura defensiva, migrando para ativos considerados mais seguros, como o ouro e os títulos do Tesouro dos EUA, enquanto ações e commodities como o petróleo enfrentam alta volatilidade.

Esses exemplos sublinham a importância de entender como cada setor do mercado financeiro pode ser afetado durante um conflito e como estratégias de investimento precisam ser adaptadas para mitigar riscos e explorar oportunidades que surgem em tempos de crise.

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