De acordo com dados de Einar Rivero, CEO da Elos Ayta Consultoria, as ações preferenciais da empresa não tinham uma valorização tão significativa desde 12 de agosto de 2022, quando o avanço foi de 7,43%. Desde o início da pandemia, a PETR4 valorizou acima de 7% apenas em 14 oportunidades, incluindo o movimento desta segunda-feira. A maior alta nesse intervalo foi em 13 de março de 2020, então de 22,22%.
Já as ações ordinárias da petroleira não registravam uma valorização tão intensa desde 5 de agosto de 2021, quando o papel subiu 9,63%. Considerando o período entre o início da pandemia e o momento atual, a ação ordinária registrou sete valorizações superiores a 9%, incluindo a desta sessão. O maior salto observado no intervalo também foi em 13 de março de 2020, quando o ativo disparou 22,76%.
Em termos de valor de mercado, a Petrobras ganhou R$ 40,9 bilhões nesta segunda-feira, ainda segundo o levantamento de Rivero, da Elos Ayta Consultoria. A quantia conquistada pela empresa é equivalente ao valor de mercado de outra petroleira: a Prio (PRIO3).
Por trás do desempenho positivo da estatal neste pregão, está a valorização dos contratos futuros de petróleo no exterior. A commodity teve ganhos acima de 3%, com investidores de olho no recrudescimento das tensões no Oriente Médio. Uma interrupção da produção e exportação do petróleo na Líbia também injetou preocupações sobre um possível choque de oferta.
Além do desempenho da commodity, colaborou para a disparada dos papéis da petroleira a notícia de que o Morgan Stanley elevou a recomendação da empresa de equal-weight (equivalente à neutra) para overweight (equivalente à compra), com preço-alvo de US$ 20 para os American Depositary Receipts (ADRs, recibos que permitem que investidores comprem nos Estados Unidos ações de empresas não americanas).
Em relatório do banco, os analistas Bruno Montanari, Thiago Casqueiro e Carlos Moraes destacaram que a revisão na recomendação se deve ao foco da companhia na remuneração dos acionistas, após as análises de mercado sugerirem a possibilidade de distribuições extras de dividendos aproximando-se de US$ 7 bilhões até o ano de 2025.
“A Petrobras se destaca por seu forte perfil de geração de caixa, com ativos de petróleo offshore (fora da costa) de alta produtividade e baixos custos, diferenciando-se globalmente e assegurando fundos para dividendos futuros”, avaliaram os analistas sobre a petroleira.
Nem mesmo as falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiram apagar os ganhos da Petrobras na sessão. Em discurso na sede do Ministério de Minas e Energia, Lula afirmou que a estatal precisa ajudar empresas brasileiras a crescerem por meio do conteúdo nacional de suas operações – ou seja, comprar equipamentos e serviços de companhias locais. A prática é criticada pelo mercado.
Ainda na ocasião, o petista repetiu que a Petrobras não é uma empresa só de petróleo e gás. “É uma companhia de investimento em pesquisa, em inovação, e para ajudar as empresas brasileiras a crescerem. Daí a necessidade do conteúdo nacional”, disse o presidente da República.
O salto das ações da Petrobras na sessão ajudou o Ibovespa a renovar a sua máxima histórica de fechamento nesta segunda-feira. A principal referência da B3 terminou o dia em valorização de 0,94%, aos 136.888,71 pontos, superando o recorde batido na última quarta-feira (21), quando o índice encerrou a sessão aos 136.463,65 pontos. Nesta matéria, veja as ações que mais subiram e caíram na sessão.