Os investidores já esperavam há semanas a indicação do diretor de Política Monetária do Banco Central como sucessor de Campos Neto, e especialistas apontaram que a confirmação deste cenário remove um elemento de incerteza e favorece uma transição suave na presidência da instituição. As taxas de juros, porém, refletiram menos este alívio e mais outros fatores relacionados a como será a condução futura da política monetária.
Em pronunciamentos recentes, Galípolo reforçou que o Banco Central precisa buscar o centro da meta de inflação, e não descartou a retomada de um movimento de alta na Selic para alcançar este objetivo. “Galípolo vem se posicionando comprometido em manter a inflação dentro da meta. Como temos um contexto de pressão inflacionária, a tendência é de alta nos juros”, disse Paulo Saad, COO da assessoria de investimentos WFlow.
A indicação de Galípolo, porém, também pode ter revivido preocupações com o poder de influência do governo, defensor de juros menores, sobre o Banco Central, e a necessidade de um esforço maior da política monetária para conter a inflação no longo prazo.
A economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, ressalta que Galípolo era um nome que já estava “acomodado” nas expectativas do mercado, e teoricamente a indicação dele para a presidência do Banco Central não deveria ter efeito na curva de juros. No entanto, “é um candidato indicado pelo governo. Tem toda a leitura que o mercado já tem em relação à preferência da administração atual de condução de política monetária”, afirmou.
Vale ressaltar que antes mesmo de Galípolo tomar a dianteira das atenções do mercado, as taxas de DI já operavam em alta, impulsionadas por comentários de Campos Neto, atual presidente do BC, e acompanhando o movimento das taxas de Treasuries (títulos de renda fixa de dívida pública do governo norte-americano) mais longas, que renovaram máximas intradia na segunda metade do pregão.
Por aqui, Campos Neto destacou que a leitura de ontem do IPCA-15, que mostrou desaceleração na inflação, não dava conforto ao Comitê de Política Monetária (Copom), e que a inflação implícita nas taxas de mercado subiram muito – ambos fatores que mantêm na mesa a possibilidade de uma Selic mais alta em setembro.
No fechamento, a taxa do contrato de DI para janeiro de 2026 subia a 11,715%, de 11,546% no ajuste anterior. A taxa para janeiro de 2027 aumentava a 11,64%, de 11,48%, e a taxa para janeiro de 2029 avançava a 11,735%, de 11,579%.