No terceiro trimestre deste ano, a quantidade de clientes que financiaram transferências de Pix ou pagamentos de boletos com o Nubank caiu para 14,3 milhões, contra 15,5 milhões no trimestre anterior, de acordo com levantamento do BTG.
“A participação do financiamento de Pix ficou estável pela primeira vez desde o lançamento. Como resultado, tanto os volumes quanto a carteira de crédito que rende juros desaceleraram, o que potencialmente indica que os riscos de inadimplência estão aumentando, ou que o produto (Pix) está atingindo a ‘saturação'”, disse a equipe liderada pelo analista Eduardo Rosman, em relatório enviado a clientes.
O Pix financiado usa o limite do cartão de crédito do cliente. É uma espécie de substituto ao cheque especial, que o Nubank não pode oferecer – a fintech tem licença de instituição de pagamento, e o cheque especial só pode ser ofertado por bancos.
A partir da análise dos números do terceiro trimestre e de relatos da administração, o BTG traça algumas hipóteses para a desaceleração do Pix financiado. A de maior peso é de um aumento dos riscos, que tem como pano de fundo um aumento na inflação de alimentos básicos e de eletricidade, que pesa mais sobre o bolso de famílias de baixa renda, público que forma boa parte da base do Nubank.
Outra hipótese é de que a fintech teria “apertado” os critérios de financiamento de Pix para evitar uma canibalização do próprio cartão de crédito.
O BTG relata que o Nubank monitora a qualidade do crédito do Pix financiado através do “impacto de primeira ordem”, como calotes e inadimplência abaixo de 90 dias, e de “segunda ordem”, como a satisfação dos clientes, o engajamento e qual o potencial de venda de mais produtos a esse cliente, o que determina o quão rentável ele é para a empresa.
O BTG tem recomendação neutra para o Nubank (ROXO34), com preço-alvo de US$ 13, 7,3% abaixo do fechamento de terça-feira (26).
* Com informações do Broadcast