“Sob estas condições, um processo de consolidação fiscal mais ambicioso deveria ter maiores impactos sobre os preços dos ativos”, afirmam Leonardo Porto e Paulo Lopes, em relatório enviado a clientes.
Um processo de consolidação fiscal mais ambicioso ajudaria nos ativos não apenas devido ao seu efeito direto sobre a dívida pública, mas também através do prêmio de risco provavelmente mais baixo, amplamente incorporado nos preços nesse momento, segundo o banco.
Ainda assim, Porto e Lopes consideram que uma consolidação fiscal gradual é o mais provável no cenário brasileiro, o que significa um caminho de aumento significativo da dívida pública.
O Citi comenta ainda que “os frágeis fundamentos fiscais no país estão relacionados a um alto nível de dívida pública (77% do Produto Interno Bruto), grandes déficits nominais (-8,0% do PIB), baixa flexibilidade nos gastos públicos (90% obrigatórios) e uma alta carga tributária (39% do PIB), todos eles comparados a outras economias emergentes”.
Segundo o banco, o enfraquecimento da âncora fiscal brasileira desde abril de 2024 levou analistas a aumentarem suas previsões de dívida pública em cerca de 3,0 pontos porcentuais do PIB (para 85%) até o final de 2026, a maior parte disso relacionada a maiores pagamentos de juros.