Os analistas do banco, liderados por Pedro Leduc, afirmam que dois pontos sugerem uma alta de juros menor do que nos cenários mais pessimistas do mercado: a ligeira desaceleração de indicadores de atividade no final de 2024 e a baixa popularidade do governo. Um fator externo importante é a percepção de mudanças no comércio internacional mais brandas do que se projetava quando o presidente americano Donald Trump ganhou as eleições, em novembro.
“Considerando o primeiro e o segundo pontos juntos, o debate sobre os juros poderia mudar de ‘mais alto por mais tempo’ para ‘quando os juros vão cair’, potencialmente incrementando as esperanças de uma descompressão nos preços das ações brasileiras”, afirma a equipe, em relatório enviado a clientes.
Com isso, a preferência nas reuniões foi por discutir nomes como BTG e B3, que se beneficiariam deste cenário mais rápido que os grandes bancos. “O BTG seria o melhor nome para um cenário melhor na curva de juros”, diz o BBA, que adiciona que os múltiplos das ações poderiam sair de 8 vezes o lucro esperado para o ano para algo entre 10 e 12 vezes se o sentimento melhorar.
Para os grandes bancos, os fatores geram maior incerteza: a inflação dos alimentos, os juros mais altos e o crescimento mais lento do Produto Interno Bruto (PIB) devem trazer um ciclo de crédito menos positivo que o do ano passado. O BBA afirma que há uma busca por qualidade, em detrimento de valor. Na porção de “valor”, o Banco do Brasil (BBAS3) atraiu mais atenções do que o Bradesco (BBDC4).
Outro debate, a respeito do Nubank (ROXO34), tem mais fatores de atenção. Os analistas do BBA afirmam que além das questões macro, os investidores mantêm no radar a desaceleração nas margens com cartão de crédito e com o crescimento do Pix financiado. Novos negócios, como o crédito pessoal e a operação no México, devem levar mais tempo para contribuir para o lucro.
Por outro lado, a ação da fintech sobe 19% desde o começo do ano, depois de uma forte correção no final de 2024. “Este desempenho é atribuído ao sentimento positivo quanto aos resultados do quarto trimestre [que saem em fevereiro], e à melhoria de sentimento nos mercados brasileiros”, dizem os analistas. No entanto, eles continuam com viés cauteloso com o papel, diante de múltiplos de 24 vezes o lucro para este ano.