
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A Petrobras (PETR4) deve anunciar entre US$ 2,5 bilhões e US$ 3,04 bilhões em dividendos no balanço do quarto trimestre de 2024, dizem analistas do mercado financeiro consultados pelo E-Investidor. A estimativa é que a petroleira reporte um lucro líquido entre US$ 1,41 bilhão e US$ 2,4 bilhões, queda respectiva de 77% e 61% em relação ao lucro do mesmo período de 2023. Na moeda nacional, a perspectiva é para a companhia entregar um lucro de R$ 25 bilhões no quarto trimestre de 2024, queda de 19,35% na comparação com o lucro de R$ 31 bilhões do quarto trimestre de 2023.
Para os analistas da Genial Investimentos, essa queda do lucro deve ocorrer devido ao excesso de paradas técnicas no período que travaram a produção da empresa. Além disso, o resultado deve ter as margens de lucratividade pressionadas devido à alta do dólar e à não disparada dos preços dos combustíveis da empresa.
“Imaginamos que, nesse trimestre, o investimento deve alcançar US$ 4 bilhões contra pouco mais de US$ 3 bilhões nos últimos trimestres. Com os termos acima, estimamos o anúncio de distribuição de R$ 1,1 por ação em dividendos regulares, o que deve gerar um rendimento de cerca de 3% no trimestre”, diz Vitor Sousa.
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Os analistas do UBS BB estimam que os dividendos da Petrobras devem ficar em US$ 2,5 bilhões no quarto trimestre de 2024, um rendimento de 2,8% em relação ao preço da ação. Os especialistas apontam que a empresa deve lucrar US$ 1,41 bilhão, que também deve ser impactado pela questão cambial.
“Estamos um pouco acima do consenso em dividendo, mas cerca de 7% abaixo do que estima o mercado para o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda). Isso porque, vemos o indicador de geração de caixa em US$ 10,22 bilhões, enquanto o consenso do mercado aponta para US$ 10,93 bilhões”, argumentam Matheus Enfeldt, Tasso Vasconcellos e Victor Modanese, que assinam o relatório do UBS BB.
Já a equipe do Itaú BBA estima um dividend yield da Petrobras (rendimento em dividendos) no quarto trimestre de 2024 em 3,2%, com um pagamento nominal de US$ 2,6 bilhões. “Esperamos que a empresa relate US$ 10,0 bilhões em Ebitda no quarto trimestre de 2024, queda de 14% no trimestre, refletindo os preços mais baixos do petróleo. Isso deve dar suporte a um fluxo de caixa operacional de US$ 9,2 bilhões para o trimestre”, explicam Monique Martins Greco Natal, Eric de Mello e Bruna Amorim, que assinam o relatório do Itaú BBA.
Os analistas do Bank of America (BofA) são os mais otimistas para a empresa. Eles estimam que os proventos da Petrobras devem somar US$ 3,04 bilhões no quarto trimestre de 2024, em um resultado marcado pela queda da produção e do petróleo. Caio Ribeiro,
Leonardo Marcondes e Nicolas Barros, que assinam o relatório do BofA.
Investidor deve comprar as ações da Petrobras?
Mesmo com o resultado pressionado e queda no lucro, a maioria dos analistas recomenda compra para a ação. A única exceção é da Genial Investimentos, os analistas possuem recomendação de manter com o preço-alvo de R$ 48,00 para o fim de 2025, alta de 25,87% na comparação com o fechamento de segunda-feira (24), quando a ação PETR4 encerrou o pregão a R$ 38,12. Os analistas estão receosos pelo fato de a empresa ser estatal e, por isso, temem ingerências na companhia.
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Já os demais analistas estão otimistas e dizem que a gestão da companhia mostrou que não será tão impactada pelas questões políticas como o mercado esperava. A equipe do UBS BB recomenda compra com preço-alvo de R$ 51 para o fim de 2025, alta de 33,78%. O Itaú BBA tem classificação de outperform para a ação da Petrobras, que é equivalente à recomendação de compra. O preço-alvo é de R$ 49 para o fim de 2025, alta de 28,54% na comparação com o fechamento de segunda-feira (24).
Ou seja, mesmo com um lucro menor devido à queda do petróleo, questões cambiais e paradas na produção, a Petrobras (PETR4) continua sendo uma ação atrativa, visto que esses fatores já estão expressos no valor do papel e os dividendos tendem a ser atrativos para o investidor. O único ponto é o risco político, que não está latente, mas pode emergir em qualquer momento, como vê a Genial.