

As ações da Petrobras (PETR3;PETR4) tiveram um dia difícil na B3 e lideraram as perdas do Ibovespa nesta quinta-feira (27). Enquanto os papéis ordinários (PETR3) fecharam em queda de 5,56% a R$ 39,24, os preferenciais (PETR4) encerraram em baixa de 3,53% a R$ 36,61.
Com o desempenho negativo, a empresa perdeu R$ 24,48 bilhões em valor de mercado, um número próximo ao valor da Porto Seguro (PSSA3), avaliada em R$ 24,6 bilhões. No fechamento do mercado, a petroleira estava cotada a R$ 491,4 bilhões, inferior aos R$ 515,9 bilhões do dia anterior, de acordo com dados de Einar Rivero, CEO e sócio-fundador da Elos Ayta Consultoria.
A forte reação das ações da Petrobras ocorreu após a petroleira liberar seu balanço do quarto trimestre de 2024 na noite de quarta-feira (26). A empresa reportou um prejuízo líquido de R$ 17 bilhões, revertendo o lucro de R$ 31 bilhões registrado no mesmo período de 2023.
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De acordo com a estatal, o resultado da Petrobras no 4º tri foi impactado pela desvalorização cambial e maiores provisões nas despesas operacionais. Desconsiderando os eventos exclusivos, a empresa teria registrado lucro de R$ 17,7 bilhões.
Para João Abdouni, analista da Levante Inside Corp, de maneira geral, o desempenho da companhia no quarto trimestre de 2024 ficou abaixo das expectativas, o que acende um sinal de alerta, especialmente em relação ao desempenho operacional e aos investimentos da Petrobras.
O analista, no entanto, afirma ser necessário esperar pelos próximos balanços antes de realizar conclusões definitivas. “Apesar dos desafios, mantemos uma perspectiva positiva em relação à Petrobras e aguardamos os resultados do primeiro trimestre de 2025, que devem nos fornecer uma visão mais clara sobre a normalização das operações da companhia”, afirma.
O balanço do 4t24 em detalhes
O Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que mede a capacidade de geração de caixa da companhia, ficou em R$ 40,96 bilhões no quarto trimestre de 2024, queda de 38,7% na base anual e recuo de 35,7% em relação ao terceiro trimestre de 2024.
A receita de vendas no período, R$ 121,26 bilhões, caiu 9,7%, frente ao quarto trimestre de 2023 (R$ 134,25 bilhões), e 6,4% em relação ao terceiro trimestre do ano (R$ 129,58 bilhões).
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Já o fluxo de caixa livre da companhia no quarto trimestre atingiu R$ 21,7 bilhões, 45,5% menor do que há um ano e 42,9% abaixo do trimestre imediatamente anterior.
O fluxo de caixa operacional, por sua vez, atingiu R$ 47,66 bilhões no período, sendo 17,3% menor do que o reportado no mesmo intervalo de 2023 e 24% inferior ao do terceiro trimestre de 2024. A Petrobras informou, ainda, que o preço médio do barril do petróleo do tipo Brent nos últimos três meses de 2024 ficou em US$ 74,69, queda de 11,1% na comparação com o mesmo período de 2023 e de 6,8% com relação ao registrado nos três meses anteriores.
Preocupação com o capex e dividendos
Um fator que gerou grande preocupação foi o capex (despesas de capital), que atingiu US$ 5,7 bilhões no último trimestre de 2024, totalizando investimentos de US$ 16,6 bilhões no ano passado. Como resultado, a empresa anunciou dividendos de US$ 1,6 bilhão (rendimento de 1,8%), abaixo da estimativa da Ágora Investimentos e do Bradesco BII de US$ 2,5 bilhões.
“Altos níveis de capex (investimentos) na Petrobras sempre trazem preocupações. O mercado ficará de olho nos níveis de capex nos próximos trimestres, que devem cair, de acordo com a administração. O resultado não muda nossa recomendação de compra, mas cria um ponto de atenção”, destacam os analistas Vicente Falanga, do BBI, e Ricardo França, da Ágora.
De acordo com a Empiricus, a gestão da Petrobras justificou que o aumento do capex ocorreu por conta de antecipações de investimentos que deveriam ser feitos em 2025 e que, portanto, não deveriam afetar a perspectiva de geração de caixa futura da companhia. “Ainda assim, esse é um tema que volta a preocupar os investidores e que será acompanhado de perto pelo mercado nos próximos resultados”, destaca a corretora, que mantém recomendação neutra para os papéis.
O que fazer com as ações agora?
A XP tem recomendação de compra para a Petrobras com preço-alvo de R$ 46,00 para o fim de 2025. O Itaú BBA também mantém a mesma indicação, mas com um preço-alvo um pouco mais baixo, de R$ 49. Outro banco otimista com o papel é o BTG Pactual, que enxerga que “momentos de pânico” costumam gerar boas oportunidades de compra para os papéis da petroleira.
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“Nos últimos anos, episódios de pânico excessivo em torno de trocas de CEO, políticas de preços de combustíveis e riscos de fusões e aquisições frequentemente criaram oportunidades atraentes para comprar a ação”, afirmam os analistas Luiz Carvalho, Pedro Soares e Henrique Pérez em relatório.
Quem está receosa, no entanto, é a Genial Investimentos. Os analistas da casa contam que o fato de a empresa ter colocado o pé no acelerador dos investimentos pode causar uma redução nos dividendos. Assim, eles preferem não correr o risco da tese. A corretora tem recomendação de “manter” para a Petrobras, equivalente à neutra, com preço-alvo de R$ 48,00.