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Quais as mensagens que o resultado do PIB de 2024 nos traz?

Os dados mostram que a economia brasileira continuou acelerando em 2024, com crescimento anual de 3,4%

Por Bruno Funchal

12/03/2025 | 13:00 Atualização: 12/03/2025 | 13:08

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PIB. (Foto: Adobe Stock)
PIB. (Foto: Adobe Stock)

Semana passada o IBGE divulgou o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de 2024 e apontou um crescimento significativo para a economia brasileira, com o PIB registrando uma alta de 3,4%. Junto com o número de crescimento do ano, há a divulgação do crescimento no último trimestre do ano, bem como o PIB decomposto pelo lado da oferta e pelo lado da demanda.

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Os dados divulgados nos trazem informações importantes – portanto, vale destrinchar essa informação. O crescimento anual de 3,4% da economia brasileira mostra que ela continuou acelerando em 2024, dado que em 2023 e 2022 tivemos um crescimento de 3,2% e 3% respectivamente. Uma das maiores contribuições para esse crescimento foi o consumo das famílias, que cresceu 4,8%, impulsionado por um mercado de trabalho aquecido com baixa taxa de desemprego e crescimento da renda em adição a políticas de crédito e programas de transferência do governo.

  • Leia mais: O recado que o resultado do PIB de 2024 passa aos investidores

O reflexo de uma economia aquecida com base em consumo é no aumento de preços, e, portanto, nos índices de inflação. O IPCA fechou o ano de 2024 em 4,8%, acima do teto da meta, e espera-se que essa inflação continue em níveis elevados para 2025. Não à toa, a inflação voltou a acelerar em 2024 demandando medidas duras do Banco Central para aliviar esse “superaquecimento” da economia e trazer a inflação para níveis saudáveis para a economia.

Outro componente importante para o crescimento foi o investimento, com alta de 7,3%, sendo a maior parte composta por variação de estoques e não Investimento em capital físico de fato. Esse investimento pode ajudar, no futuro, a gerar oferta necessária para suprir uma demanda maior, porém o grande problema é o descompasso de expansão da demanda com a expansão da oferta, pois o consumo e investimento para investir as empresas demandam produtos) são demanda hoje e investimento é oferta futura, o que significa em inflação. Para um crescimento sem o custo inflacionário são necessárias medidas que afetem a produtividade da nossa economia, que vem baixa a décadas.

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Olhando os dados de crescimento na margem, isto é, apenas o crescimento do quarto trimestre, a “boa” notícia é que a economia brasileira está desacelerando, com crescimento de 0,2% que foi bastante influenciado pelo consumo das famílias, com recuo de 1%. Coloquei entre aspas a palavra “boa” para destacar que apesar da desaceleração da economia, o ponto positivo é que temos um sinal do efeito de uma política monetária mais restritiva sobre a economia e, como consequência, de uma inflação sob controle no futuro. É importante lembrar que a inflação é o pior mal para as pessoas: come parte do poder de compras das pessoas e afeta, principalmente os mais pobres – por isso o destaque positivo da desaceleração da economia, uma vez que a inflação é um sinal de “febre” da nossa economia e que precisa ser controlada de forma correta.

Para 2025, nós, do Bradesco Asset, esperamos uma economia menos aquecida, com um crescimento de 1,7% e uma inflação de 5,9%, ou seja, um ano que as políticas econômicas precisam atuar de forma harmônica para fazer do crescimento algo sustentável, sem deixar a economia com a febre da alta de preços chamada inflação. Política monetária e fiscal precisam estar alinhadas em uma direção que ajude o controle da inflação – caso contrário corremos risco de ver um ano de juros muito altos, com o esforço do Banco Central em desacelerar a economia, e de outro lado políticas fiscais que acelerem a economia, dificultando o controle da inflação.

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