

Mais da metade dos brasileiros desaprova o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (2), o índice de desaprovação do chefe do Planalto subiu sete pontos percentuais nos últimos três meses, chegando a 56% – o pior nível desde o início da gestão. A rejeição avançou em todas as regiões do País, incluindo no Nordeste, onde concentra o maior apoio eleitoral do Partido dos Trabalhadores (PT).
Os dados mostraram também que, para 53% dos brasileiros, o atual mandato de Lula é pior do que os dois anteriores, entre os anos de 2003 e 2010. Já a aprovação do presidente caiu seis pontos porcentuais, chegando a 41% durante o mesmo período. A queda da popularidade de Lula é acompanhada pelo mercado desde fevereiro, quando a pesquisa do Datafolha mostrou também um salto de sete pontos porcentuais do índice de rejeição do presidente.
Na época, os resultados ajudaram o Ibovespa – principal índice da B3 – encerrar as suas negociações com um salto de 2,7%, no maior nível de encerramento desde meados de dezembro. O dólar também acelerou o ritmo de queda e chegou a R$ 5,69 pela primeira vez desde o início de novembro, na sessão do dia 18 de fevereiro. “Lá atrás, esperava-se que uma possível reeleição de Lula fosse factível. Mas essa queda de popularidade abrupta fez o mercado mudar a visão”, disse Marco Noernberg, head de renda variável da Manchester Investimentos, ao avaliar os dados do Datafolha. Veja os detalhes nesta reportagem.
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Para a nova pesquisa Genial/Quaest, nada de novo para o mercado. Mário Lima, estrategista de macroeconomia da Medley Advisors, diz que os números, embora sejam ruins, não mudam a avaliação dos investidores sobre a atual imagem do presidente Lula. Contudo, ele ressalta que ainda é cedo para mensurar o impacto desses números para o cenário das eleições de 2026. “É prematuro tomar esses dados como um indicador para um cenário eleitoral do ano que vem”, afirma Lima.
Isso porque os números da pesquisa ainda não mensuraram o impacto na popularidade do governo após os recentes acenos à população. Em março, o presidente Lula apresentou o projeto de lei que isenta o Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. A proposta era uma promessa de campanha eleitoral do petista que, ao ser anunciada pela primeira vez no fim do ano passado, causou estresse nos mercados. O receio era que o ajuste na faixa de isenção do IR agravasse o risco fiscal do País.
O governo lançou também o crédito consignado privado para os trabalhadores com carteira assinada e microempreendedores individuais (MEI). A medida provisória (MP) entrou em vigor no dia 21 de março e, em apenas sete dias de operação, chegou a R$ 1,28 bilhão em concessões de empréstimos. A proposta da iniciativa busca eliminar a burocracia na concessão do crédito e proporcionar para o grupo o acesso a empréstimos com juros mais baixos.
Houve ainda a retirada dos impostos de importação sobre os alimentos considerados essenciais, como café, azeite e carnes. A medida busca driblar a inflação sobre esses produtos e torná-los mais acessíveis para o consumidor final. “São medidas que ainda não chegaram ao conhecimento da população e, quando isso acontecer, tendem a dar um fôlego na popularidade do governo”, acrescenta Lima. Ou seja, há espaço para uma reversão do índice de desaprovação de Lula.
O mercado está de olho nas eleições de 2026?
As pesquisas que mostram a queda da popularidade do presidente Lula anteciparam as discussões no mercado sobre as eleições de 2026. Isso porque os últimos levantamentos aumentaram as chances do atual governo não conseguir se reeleger no próximo ano, possibilidade que estava fora do radar do mercado.
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Contudo, até lá, outras pautas devem ganhar mais destaque. Flávio Conde, analista da Levante Investimentos, diz que os investidores acompanham a tramitação do projeto de lei da isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil. Embora o Congresso tenha sido, na avaliação dele, um aliado aos interesses do mercado, há um receio de que a proposta avance sem uma compensação arrecadatória factível.
“Há um medo do Congresso seja simpático à proposta e barre os 10% de impostos adicionais para quem ganha acima de R$ 50 mil por mês”, diz Conde. Como mostramos aqui, a dedução do novo imposto deve ocorrer na fonte, caso seja aprovada, sobre as rendas do contribuinte, como o pagamento de dividendos de empresas.
Dado a repercussão sobre a pauta, o Ministério da Fazenda esclareceu que a medida não busca tributar os dividendos, mas considera os valores como parte da renda mensal dos sócios de uma companhia. E se o contribuinte estiver dentro dessas condições e estiver pagando a alíquota de IR mínima, prevista na proposta, esses proventos não serão tributados.
O outro medo é que a rejeição do presidente Lula, vista nas últimas pesquisas, leve o governo a lançar novas propostas populistas para reverter o seu índice de desaprovação. “Lula está fazendo de tudo para melhorar a sua imagem porque as eleições estão bem próximas e ele quer ganhar de fato mais popularidade, ainda mais diante de pesquisas tão negativas a respeito dele”, diz Marcus Labarthe, especialista em mercado de capitais e sócio-fundador da GT Capital.
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