O Citi destaca que o governo Trump optou por um cronograma agressivo, impondo 10% de tarifa já a partir deste sábado, com aumentos adicionais entrando em vigor em 9 de abril. “Muitos esperavam que tarifas recíprocas fossem enquadradas na Seção 301, o que daria margem para negociações, mas isso não aconteceu”, observa o banco.
A instituição ressalta que países de menor renda, como Camboja (49%), Vietnã (46%), Laos (48%) e Sri Lanka (44%), foram penalizados com tarifas extremamente altas, apesar de terem déficits comerciais insignificantes com os EUA. “É difícil entender a lógica, já que essas nações não representam ameaça à indústria americana, mas são rotas de desvio de comércio da China”, diz a análise.
Simulações do Citi indicam que o Leste Asiático sofrerá o maior golpe, com Vietnã, Tailândia e China na linha de frente. A isenção do México e do Canadá ameniza o impacto nesses países, mas a desaceleração da economia americana pode contaminar seus parceiros regionais. “Se as tarifas se mantiverem, esperamos maior depreciação cambial e flexibilização monetária na Ásia, com a China possivelmente permitindo mais desvalorização do yuan”, afirma.
Enquanto a Ásia enfrenta turbulência, economias do México, América Central (exceto Nicarágua) e Oriente Médio escaparam com tarifas mínimas. O Citi sugere que a medida visa pressionar a China de forma “maximalista”, fechando rotas alternativas de exportação. No entanto, o banco alerta: “O custo para o crescimento global pode ser alto, e a escalada ainda não acabou”.