

O Inter mudou sua recomendação de investimento em Bolsa de Valores no Brasil de neutra para positiva, segundo relatório assinado por Daniela Barreto. A mudança de recomendação acontece após a analista estimar que o Ibovespa continue a trajetória de alta vista em março, já que o indicador continua negociando a múltiplos muito baixos.
Na visão do Inter, o Ibovespa subiu 6,08% em março devido ao fluxo estrangeiro retornando ao Brasil, impulsionando ativos que estavam depreciados. A especialista diz que o encerramento da temporada de balanços confirmou a tese de aquecimento econômico, com muitas empresas superando as estimativas de mercado.
“Nesta última temporada vimos que as companhias seguiram o ritmo do que vimos ao longo de 2024 com a maioria das delas superando as estimativas do mercado com 60% das empresas batendo as expectativas, ficando acima da média histórica de 56% ao longo dos últimos trimestres”, diz Daniela Barreto, que assina o relatório do Inter.
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Segundo ela, em abril, o investidor deve voltar os olhos para os acontecimentos macroeconômicos, com o mercado preocupado ainda com a inflação e juros tanto nos EUA quanto no Brasil, além de acompanhar de perto os desdobramentos da guerra comercial. A analista elevou a recomendação para o Ibovespa hoje de neutra para +1. O que significa que o investidor pode colocar parte do portfólio em renda variável, mas não são todos os investidores que devem fazer esse aporte.
Qual perfil de investidor deve aportar no Ibovespa em abril?
Na estratégia de investimentos, a especialista separa os investidores em três perfis: conservador, moderado e arrojado. Para o conservador, a recomendação é alocar 95% em renda fixa nacional com foco em pós-fixado e 5% em renda fixa internacional. Já o moderado deve aportar 70% em renda fixa no Brasil, 10% em fundos multiestratégia, 15% em renda fixa internacional e 5% em alternativos.
No caso do arrojado, ele deve aportar 50% em renda fixa no Brasil, 5% em fundos de investimentos do agronegócio (Fiagro) e mais 5% em fundos multiestratégia. Esse é o único perfil recomendado a aportar em renda variável, com 15% da carteira alocada nela. Ou seja, mesmo com a elevação de recomendação, somente investidores arrojados devem ir para o mercado de ações atualmente. No mercado internacional, 10% deverão ficar em renda fixa e 10% em renda variável no exterior. Os investimentos alternativos devem corresponder a 5% da carteira do investidor arrojado.
Em quais ativos de renda fixa o investidor deve aportar agora?
A analista lembra que a curva de juros brasileira, que havia apresentado uma queda recentemente, voltou a se elevar nas últimas duas semanas. De acordo com Barreto, esse movimento é impulsionado por fatores como a volatilidade do mercado externo, preocupações com os gastos do governo e uma inflação ainda resiliente. Ela explica que essa combinação cria um ambiente de incerteza que afeta a performance dos ativos de renda fixa, especialmente aqueles prefixados ou híbridos.
Os ativos atrelados ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) também estão enfrentando desafios, com o IMA-B5+ (indicador de mercado que reflete a rentabilidade dos títulos atrelados à inflação) registrando um retorno negativo de 4,1% nos últimos 12 meses e 2,8% no acumulado do ano. Já o CDI foi o grande destaque, apresentando 11,1% em 12 meses e 2,7% no ano.
“Recomendamos que clientes conservadores permaneçam em ativos pós-fixados, dada a garantia de resiliência. Para investidores mais arrojados, as taxas atuais dos ativos IPCA+ representam uma excelente oportunidade para o longo prazo, pois podem oferecer retornos interessantes à medida que o panorama econômico se estabiliza”, argumenta Daniela Barreto em seu relatório de alocação que aborda todos os temas, desde o Ibovespa até renda fixa.
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