

As ações da Petrobras (PETR4) caem nesta sexta-feira (4) em meio ao tombo do preço do petróleo no mercado internacional. O recuo da commodity ocorre com as retaliações chinesas à nova guerra comercial iniciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O país asiático anunciou a taxação dos produtos americanos em 34% nesta sexta-feira, mesmo porcentual imposto por Trump na quarta-feira (2).
Em meio às tensões, o preço do petróleo brent caía 6,57%, a US$ 65,33, às 14h. No mesmo horário, as ações da Petrobras recuavam 5,47%, a R$ 34,09. Os papéis da Brava (BRAV3) tinham queda de 12,2%, a R$ 18,48. As tarifas chinesas entram em vigor no próximo dia 10.
João Abdouni, analista da Levante, diz que ainda é muito cedo para afirmar que os dividendos da Petrobras podem ser impactados. Segundo ele, a estatal tem uma política de fazer reajustes quando o valor da commodity se estabiliza em um determinado patamar. A medida foi implementada para evitar que a companhia repassasse a volatilidade do mercado para os consumidores e investidores da empresa.
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“Neste momento, vejo pouco impacto nos dividendos da Petrobras, pois a empresa ainda não reduziu os preços dos combustíveis, mas, se o Brent continuar caindo ou ficar nesse patamar atual, os proventos da Petrobras podem ser impactados”, diz Abdouni. Ele explica que, como isso ainda é somente uma volatilidade do mercado e a estatal ainda não fez o repasse, mantém as mesmas estimativas para a companhia.
Quanto a Petrobras deve pagar em dividendos em 2025?
Abdouni estima que a Petrobras deve pagar R$ 5 por ação em dividendos no acumulado de 2025. O número equivale a um retorno em dividendos (dividend yield) de 13,88% em relação ao fechamento de quinta-feira (3), quando a ação encerrou o pregão a R$ 36,00. Já os analistas do Itaú BBA estimam que a Petrobras deve pagar um dividend yield de 3,4% referente ao balanço do primeiro trimestre de 2025.
“Prevemos fortes resultados operacionais no primeiro trimestre de 2025, com um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de US$ 10,8 bilhões, alta de 9% na comparação com o quarto trimestre de 2024, apoiado pelo aumento da produção de petróleo e melhores margens de refino. Como resultado, prevemos um dividendo ordinário de US$ 2,7 bilhões, rendendo 3,4%.”, explicam Monique Martins Greco Natal, Eric de Mello e Bruna Amorim, que assinam o relatório do Itaú BBA.
Caso a estatal mantivesse o mesmo ritmo de produção, o dividendo anualizado seria de 13,6%, segundo a estimativa trimestral do Itaú BBA. A Ágora Investimentos possui o maior valor estimado. Os analistas calculam um dividend yield da Petrobras de 14,7% para 2025. Os analistas comentam que possuem a ação como a sua favorita do setor de petróleo.
“No último trimestre, a Petrobras anunciou um pagamento de dividendos de US$ 1,6 bilhão (rendimento de 1,8%), abaixo da nossa estimativa de US$ 2,5 bilhões. Isso acendeu nosso sinal amarelo. No entanto, a companhia disse que isso ocorreu devido ao investimento antecipado de 2025 para evitar atrasos a fornecedores. Por isso, mantemos nossa recomendação de compra, com a estatal sendo a nossa favorita do setor”, dizem Vicente Falanga, do Bradesco BBI, e Ricardo França, da Ágora Investimentos, que assinam o relatório em conjunto.
Vale a pena comprar a ação da Petrobras?
Em meio a essas estimativas, os analistas recomendam compra para a ação. A Ágora Investimentos tem recomendação de compra com preço-alvo de R$ 53 para o fim de 2025, alta de 47,2% em relação ao fechamento de quinta-feira (3), quando a ação encerrou o pregão a R$ 36. O Itaú BBA tem recomendação de outperfom (compra) com preço-alvo de R$ 49 para o fim de 2025, alta de 36,11% em relação ao último fechamento. A Levante também tem recomendação de compra para a Petrobras (PETR4), mas o analista prefere não revelar seu preço-alvo.
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