

As tarifas de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, podem trazer uma arrecadação adicional próxima de US$ 400 bilhões ao ano para o governo americano. É o que aponta o BTG Pactual em relatório, divulgado nesta sexta-feira (4). O volume representa 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
O pacote de tarifas, anunciado na quarta-feira (2), faz parte de uma das promessas de campanha do republicano e atinge todos os países que exportam produtos para os Estados Unidos. O Brasil recebeu a alíquota mínima de 10%, enquanto China, Europa, Vietnã e Camboja ficaram com taxas mais agressivas de até 49%. Já nesta sexta-feira (4), o governo chinês impôs uma tarifa de 34% sobre os produtos americano em resposta às medidas do republicano.
A contrapartida elevou a tensão comercial entre as duas potências econômicas. As bolsas asiáticas fecharam a sessão de hoje em baixa, estendendo as perdas de quinta-feira (3). O índice Nikkei caiu 2,75%, em Tóquio, atingindo o menor nível desde 5 de agosto do ano passado. Os mercados da Europa caminham no mesmo sentido e operam com forte queda na última sessão da semana. O Ibovespa, principal índice da B3, derrete 3,03%, por volta das 11h16 (horário de Brasília).
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“Estimativas preliminares sugerem que as novas medidas devem elevar a tarifa média americana em 10 a 13 pontos percentuais, para um patamar acima de 20%. Isso implica que, em apenas dois meses de mandato, Trump terá elevado a tarifa média de importação de cerca de 2,5% para mais de 20%”, avalia o BTG Pactual. Além de elevar as tensões comerciais, as tarifas de Trump podem ter um efeito inflacionário sobre a economia dos EUA e atrasar o ciclo de queda de juros no país.
O banco de investimento estima que a cada a cada 1 ponto porcentual de aumento na tarifa média adiciona aproximidamente 0,09 p.p ao núcleo do índice de preços para depesas com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), um dos responsáveis por medir a inflação do país. “O pacote anunciado pode adicionar até 1,3 p.p. ao núcleo do PCE ao longo dos próximos 12 meses. Com isso, projetamos que o crescimento do PIB em 2025 deve se aproximar de 1,0%”, complementa o banco.
A ação brasileira que pode ser vencedora em meio ao caos global
Os produtos brasileiros que entrarem nos Estados Unidos serão taxados pelo governo americano com a alíquota mínima de 10%. Em um primeiro momento, o BTG Pactual avalia que o mercado brasileiro saiu como um “vencedor relativo” em comparação aos outros países que sofreram aumentos tarifários mais agressivos. A diferença pode ajudar o Brasil a capturar parte dos mercados que os EUA podem perder caso os outros parceiros comericiais adotem medidas retaliatórias, como a China.
Nesse contexto, as ações da Minerva (BEEF3) podem ser uma das principais beneficiadas nesse processo. Segundo o BTG Pactual, os EUA são os principais destinos das exportações brasileiras de carne bovina e, por esse motivo, o impacto de uma taxação na ordem de 10% deve ser limitado. “Com o rebanho bovino dos EUA no menor nível em mais de 70 anos e enfrentando uma forte fase de baixa no ciclo, o país provavelmente continuará a depender de importações para atender ao consumo interno — no fim das contas, os consumidores americanos devem arcar com preços internos ainda mais altos”, avalia o banco de investimento.
Aliado a isso, o Brasil pode se beneficiar com a demanda vindo de outros países, especialmente nos mercados asiáticos, como China, Japão e Vietnã. “Esses dois últimos sendo mercados que o Brasil está tentando abrir para exportação de carne bovina neste ano. A Minerva deve se destacar como uma das beneficiadas nesse processo”, destaca o BTG Pactual. No pregão desta sexta-feira (4), as ações da Minerva Foods (BEEF3) sobem 3,4%, sendo negociadas a R$ 6,51.
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