

O bitcoin hoje foi na direção contrária das bolsas globais e subiu 2,24% nesta sexta-feira (4), sendo negociado a US$ 84,1 mil. O ethereum (ETH) e solana (SOL) também acompanharam os ganhos da principal cripto do mercado e acumularam altas de 1,12% e 6,22%, respectivamente, segundo dados da CoinMarketCap. O fôlego, embora em níveis tímidos, vão na direção contrária dos mercados globais.
Os índices americanos S&P 500 e Nasdaq fecharam a sessão de sexta-feira (4), com quedas de 5,97% e 5,82%, respectivamente. O estresse dos mercados reflete a preocupação dos investidores com a retaliação da China às tarifas de importação de Donald Trump, presidente dos EUA. O governo chinês anunciou taxas de 24% sobre os produtos americanos em resposta às alíquotas de 34% para importações chinesas, que se somam às tarifas anteriores de 20% que já estão em vigor.
A escalada da guerra comercial já causou um prejuízo na ordem de US$ 5,4 trilhões em valor de mercado para as ações americanas nos últimos dois dias, segundo informações do Financial Times. “O movimento positivo do bitcoin, portanto, parece estar muito mais atrelado a uma resiliência recente da criptomoeda do que por um fundamento específico dela própria. Além disso, o timing parece mais favorável ao BTC. Afinal, a máxima histórica do token veio em meados de janeiro. De lá pra cá, a criptomoeda recuou forte antes de estabilizar na região dos US$ 80 mil”, avalia Beto Fernandes, analista da Foxbit.
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Vale destacar que, desde fevereiro, quando as primeiras medidas protecionistas do republicano foram anunciadas, a aversão ao risco dos investidores permaneceu, impactando o desempenho das criptomoedas. Como mostramos aqui, o bitcoin apresentou uma perda de quase 12%, sendo o seu pior desempenho dos últimos seis anos para o período. O receio do mercado é que as medidas protecionistas empurrem a economia americana para uma recessão.
“Paralelamente, a estimativa do Fed (Federal Reserve – banco central americano) de Atlanta para o PIB do primeiro trimestre de 2025, prevendo uma queda de 2,8%, pode piorar à medida que o consumo e os investimentos das empresas diminuem sob a pressão das tarifas”, diz Guilherme Prado, country manager da Bitget. Dado essa nova realidade, a possibilidade de uma flexibilização dos juros americanos em 2025 pode impulsionar, na avaliação do especialista, o bitcoin como hedge. No entanto, as altcoins, como o ether e solana, vão precisar de fundamentos mais sólidos para se beneficiarem no longo prazo.