

As empresas americanas listadas em Bolsa já perderam US$ 9,8 trilhões em valor de mercado desde a posse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 20 de janeiro. Os dados são de Einar Rivero, CEO e sócio-fundador da Elos Ayta Consultoria. Só nos últimos dois pregões, que sucederam o anúncio do pacote tarifário do republicano, as perdas foram de US$ 6,08 trilhões.
As Sete Magníficas, gigantes da tecnologia dos Estados, já viram seu valor de mercado reduzir em US$ 4,26 trilhões desde o início do novo governo. Juntas, Apple (AAPL), Microsoft (MSFT), Amazon (AMZN), Nvidia (NVDA), Alphabet (GOOGL), Meta (META) e Tesla (TSLA) perderam US$ 802 bilhões em valor de mercado nesta sexta-feira, uma retração menor do que a registrada no dia anterior, quando o tombo foi de US$ 1,03 trilhão.
Entre as maiores baixas, a Nvidia perdeu US$ 183 bilhões no pregão de hoje, acumulando uma baixa de US$ 1,07 trilhão desde janeiro. Apple e Microsoft também registraram perdas expressivas, de US$ 625 bilhões e US$ 515 bilhões, respectivamente, desde o começo do governo Trump.
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O que fez as Bolsas americanas despencarem hoje?
As Bolsas de Nova York tiveram um novo tombo. O Dow Jones caiu 5,50%, enquanto S&P 500 e Nasdaq derreteram 5,97% e 5,82%. Os índices aprofundaram as perdas durante o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, que sinalizou expectativas de alta da inflação no curto prazo em razão das tarifas anunciadas por Trump. Powell afirmou que “é incerto dizer qual é a trajetória correta para a política monetária” e reiterou que o Fed tem tempo e que “não precisa ter pressa” antes de decidir por novos cortes de juros.
O movimento de queda também ocorreu após a China, uma das principais afetadas pelo tarifaço de Trump, anunciar uma retaliação às importações americanas. O país asiático irá aplicar, a partir do próximo dia 10, uma tarifa de 34% sobre todos os produtos importados dos EUA. Além disso, o Ministério do Comércio da China disse ter adicionado 11 empresas americanas à sua lista de “entidades não confiáveis”.
Na sexta-feira agitada, investidores também monitoraram o payroll (relatório oficial de emprego dos EUA). A economia americana criou 228 mil empregos em março, em termos líquidos, segundo relatório publicado pelo Departamento do Trabalho do país. Analistas consultados pelo Projeções Broadcast esperavam criação de 90 mil a 180 mil vagas, com mediana de 140 mil.
Os dados positivos, no entanto, não foram suficientes para dissipar o sentimento de risco nos mercados. “A intensificação da guerra comercial, especialmente se outros países se juntarem à China na retaliação, aumenta a probabilidade de uma forte queda no comércio internacional e aumenta a chance de uma recessão global. Os movimentos nos mercados sugerem que é o que está sendo precificado nesse momento”, diz André Valério, economista sênior do Inter.
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Ele ressalta também que esse foi o último payroll antes das tarifas, sendo que os próximos relatórios devem começar a incorporar os impactos das medidas de Donald Trump. “Ainda há a incerteza do impacto sobre o nível de preços no curto prazo”, pontua.