Mesmo prevendo um impacto pequeno, o banco revisou para baixo as projeções para a economia brasileira diante do agravamento da guerra comercial. Prevendo uma recessão global iniciando no segundo semestre deste ano, a instituição enxerga o PIB brasileiro avançando menos. A economia deverá avançar 1,9% neste ano e 1,2% em 2026, abaixo das estimativas anteriores de 2,2% e 1,5%.
A expectativa dos analistas é de que o Banco Central encerre o ciclo de aperto monetário com uma última alta da Selic na reunião de maio e inicie cortes a partir de novembro. Agora, o banco americano prevê uma Selic terminal de 13,75% em 2025 e de 9,75% em 2026, contra 15,25% e 12,50% dos relatórios anteriores.
Banco prevê mais estímulos fiscais e parafiscais
Embora o espaço fiscal do país esteja restrito, “novos estímulos não podem ser descartados”, apontam os analistas. O governo tem uma postura muito vocal em relação ao crescimento da economia com vistas à eleição do ano que vem, segundo eles, e a análise parece não descartar esse cenário.
O relatório aponta que o J.P. Morgan previa “um pouso suave” para a economia brasileira, mas a escalada da guerra comercial global alterou o quadro. Apesar do impacto direto das tarifas dos EUA ser limitado para o Brasil, a instituição agora projeta uma desaceleração mais forte para economia doméstica no segundo semestre de 2025, com chance de recessão global em 60%. “Com perspectivas de crescimento mais fracas, levando a uma postura monetária menos restritiva e, provavelmente, maior aporte por meio de políticas fiscais e parafiscais do que o inicialmente previsto.”
Veja as previsões do JP Morgan para o Brasil:
| Variáveis |
2024 |
2025* |
2026* |
2025 Antigo |
2026 Antigo |
| Crescimento do PIB (% a/a) |
3,4 |
1,9 |
1,2 |
2,2 |
1,5 |
| IPCA cheio (% Dez/Dez) |
4,8 |
5,5 |
3,2 |
5,5 |
3,2 |
| IPCA núcleo (% Dez/Dez) |
4,3 |
5,3 |
3,5 |
5,3 |
3,5 |
| IGP-M (% Dez/Dez) |
6,5 |
2,9 |
2,6 |
2,9 |
2,6 |
| Taxa SELIC (% a.a.) |
12,25 |
13,75 |
9,75 |
15,25 |
12,5 |
| Resultado primário (% do PIB) |
-0,4 |
-0,8 |
-1,1 |
-0,7 |
-0,8 |
| Resultado nominal (% do PIB) |
-8,5 |
-9,5 |
-9,5 |
-9,3 |
-9,1 |
| Dívida líquida (% do PIB) |
61,1 |
64,5 |
69 |
64 |
68,5 |
| Dívida bruta (% do PIB) |
76,1 |
80 |
85 |
79,5 |
84 |
| Conta corrente (% do PIB) |
-2,8 |
-3,4 |
-2,3 |
-3,1 |
-2,6 |
| Investimento direto estrangeiro (% do PIB) |
3,3 |
3,4 |
3,2 |
3,4 |
3,2 |
*Novas previsões. Fonte: BCB, FGV, IBGE e JP Morgan