No Brasil, a agenda econômica desta terça-feira (20) acompanha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na abertura oficial da XXVI Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, enquanto o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, reúne-se com senadores para discutir a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da autonomia do BC e tem encontro com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
O Tesouro faz leilões de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B, títulos públicos com rendimento atrelado à inflação) e Letra Financeira do Tesouro (LFT, título pós-fixado com rentabilidade atrelada à taxa de juros). O balanço da XP sai após o fechamento do mercado.
Nos EUA, sete dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) discursam: Thomas Barkin, de Richmond; Raphael Bostic, de Atlanta; Susan Collins, de Boston; Alberto Musalem, de St Louis; diretora do Fed Adriana Kugler; Beth Hammack, de Cleveland; Mary Daly, de São Francisco.
Mercado financeiro hoje: os destaques desta terça-feira (20)
Bolsas internacionais reagem a corte de juros na China
Os sinais são mistos nas bolsas internacionais, com futuros de Nova York em baixa, enquanto as bolsas europeias avançam. Na Ásia, os mercados subiram após o Banco Central da China reduzir os juros de referência em 0,1 ponto porcentual, em uma tentativa de estimular a economia afetada pela guerra comercial.
Na semana passada, Pequim e Washington concordaram em suspender a maior parte das tarifas bilaterais por 90 dias – relembre aqui. Além disso, os principais bancos chineses cortaram suas taxas de depósito e o governo anunciou redução nos preços da gasolina e do diesel a partir desta terça-feira. Para a Capital Economics, as reduções feitas pelo Banco do Povo da China (PBoC, pela sigla em inglês) devem ter impacto limitado na economia.
Já o Banco Central da Austrália cortou os juros de 4,10% para 3,85% ao ano. O economista-chefe do Banco da Inglaterra (BoE), Huw Pill, sugeriu que o BC britânico desacelere o ritmo de cortes na taxa básica, argumentando que a inflação e o crescimento dos salários ainda estão acima da meta.
Commodities: petróleo recua, minério avança
O petróleo opera em queda depois de acumular ganhos nas duas últimas sessões. Os investidores avaliam riscos ligados a discussões para um cessar-fogo na Ucrânia e negociações nucleares entre EUA e Irã. Os preços da commodity também são pressionados por persistentes preocupações sobre a demanda após o rebaixamento da nota de crédito dos EUA pela Moody’s ofuscar a perspectiva do maior consumidor mundial de energia. Nesta manhã, o barril do petróleo WTI para julho caía 0,24%, enquanto o do Brent para o mesmo mês recuava 0,18%.
Ainda entre as commodities hoje, o minério de ferro no mercado futuro da Dalian Commodity Exchange, para setembro de 2025, fechou em alta de 0,28%, cotado a 725 yuans por tonelada, o equivalente a US$ 100,48.
Os American Depositary Receipts (ADRs, recibos que permitem que investidores consigam comprar nos EUA ações de empresas não americanas) da Vale (VALE3) recuavam 0,31% no pré-mercado de Nova York. Já os ADRs da Petrobras (PETR3; PETR4) subiam 0,75%.
O que esperar do Ibovespa hoje após recorde histórico?
A falta de fôlego em Nova York e a queda do petróleo podem limitar o apetite no Ibovespa hoje. Na véspera, a Bolsa de Valores brasileira quebrou novo recorde histórico e já mira os 150 mil pontos – leia mais nesta matéria.
As ações da Petrobras devem reagir à notícia de que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizou a estatal a iniciar pesquisas na Foz do Amazonas. O dólar hoje opera de forma mista frente a moedas emergentes e ligadas a commodities, o que sugere volatilidade frente ao real após o corte de juros na China.
O ministro Fernando Haddad afirmou que encaminhou ao presidente Lula as medidas para viabilizar o cumprimento da meta de resultado primário de 2025. Segundo ele, todas as propostas serão divulgadas na próxima quinta-feira (22) junto com a publicação do Relatório Bimestral de Receitas e Despesas. No entanto, Haddad evitou antecipar o valor da contenção de gastos que será anunciada.
Esses e outros assuntos ficam no radar do mercado financeiro hoje.
* Com informações do Broadcast