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Investimentos

Para onde vai o dólar em 2025 após o pacote do IOF do governo Lula?

Analistas dizem que o anúncio foi uma surpresa para o mercado, que aguardava somente o contingenciamento

Bruno Andrade é repórter do E-Investidor
Por Bruno Andrade

23/05/2025 | 13:08 Atualização: 23/05/2025 | 16:33

Veja para onde vai o dólar após Haddad mudar as taxações do câmbio (Foto: Adobe Stock)
Veja para onde vai o dólar após Haddad mudar as taxações do câmbio (Foto: Adobe Stock)

O dólar sobe no pregão desta sexta-feira (23) após o governo anunciar mudanças no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Na quinta-feira (22), o Ministério da Fazenda divulgou um pacote que altera o IOF sobre operações de seguro, crédito, empresas e câmbio. A reação dos investidores não foi positiva, com a moeda americana saltando 1,87% no mercado futuro. A medida levou a revisão de uma pequena parcela de toda a proposta do governo que segundo analistas ouvidos pela reportagem, ainda não acalmou totalmente o mercado e pode provocar incertezas no curto prazo em relação ao dólar.

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Por volta das 12h, o dólar hoje sobe 0,33%, a R$ 5,68. Na quinta-feira (22), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou um pacote que trata de IOF sobre seguro, crédito, empresas e câmbio. Segundo o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, as medidas podem gerar uma arrecadação de R$ 20,5 bilhões em 2025 e de R$ 41 bilhões em 2026. O secretário do Tesouro, Rogério Ceron, disse que as mudanças no IOF vão ajudar a harmonizar as políticas monetária e fiscal em duas frentes: pelo seu impacto positivo na arrecadação e pela desaceleração do crédito.

Na questão do câmbio, os cartões de crédito e débito internacionais tiveram uma redução de imposto de 6,38% para 3,5%. Para cartão pré-pago internacional, cheques de viagem e gastos pessoais no exterior, as reduções progressivas foram de 5,38% em 2023 e 4,38% em 2024, e agora possuem uma alíquota unificada em 3,5%.

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No caso do empréstimo externo de curto prazo, a alíquota era de 6% até 2022. O conceito de “curto prazo” se estendia a operações de até 1.080 dias. A alíquota foi zerada a partir de 2023. Agora, será de 3,5% no “curto prazo”, que foi redefinido para até 364 dias. O governo também havia anunciado a taxação dos fundos de investimentos no exterior, que antes possuía alíquota zero e com a medida foi para 3,5%. No entanto, com o recuo posterior, a taxação sobre esse item voltou a ser zero.

Mais cedo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), disse que o recuo sobre a taxação de fundos de investimento no exterior via IOF foi para evitar especulações sobre inibição de investimentos. A fala foi proferida em entrevista coletiva com a imprensa nesta sexta-feira (23) após o governo retroceder na medida que elevava a alíquota de 0% para 3,5%.

“Fizemos essa mudança para evitar especulações sobre objetivos que não são da Fazenda. Como, por exemplo, inibir os investimentos fora do país. Todo o conjunto foi mantido, esse foi o único ponto revisto. A mudança é feita antes da abertura do mercado para evitar qualquer boataria ou tensão por parte dos investidores”, diz Haddad.

Como o mercado interpretou esse fato?

Para Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, o anúncio não era esperado pelo mercado.  Segundo ela, o governo teria que anunciar um maior corte de gastos do que uma tentativa de aumento de receita, o que não estava previsto pelos analistas.

De acordo com André Valério, economista sênior do Inter, o anúncio do governo implicava em aumento do IOF para diversas transações cambiais, com validade a partir da meia-noite desta sexta-feira (23). Portanto, ele pontua que havia um incentivo de saída de dólares do Brasil para não incorrer em maior tributação.

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“O anúncio também contribui para uma piora de percepção da economia brasileira, pois o aumento do IOF gera distorções que afetam muitas transações financeiras e investimentos, tipicamente ineficientes em termos de alocação de recursos produtivos, tornando a economia brasileira menos atrativa para o investidor estrangeiro, na margem”, diz Valério.

Felipe Corleta, sócio da GTF Capital, diz que o mercado interpretou que o governo está adotando medidas de controle de capitais parecido com o que o governo Kirchner fez na Argentina de tributar o envio de dinheiro para o exterior. Ele lembra que tivemos um aumento de imposto sobre operações financeiras, indo na contramão das determinações da OCDE, cuja orientação é reduzir o imposto sobre essa categoria.

Ele lembra que a questão da comunicação do governo também pesou, assim como no fim do ano passado com o anúncio da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. Segundo ele, mercado reagiu positivamente com o fato de o governo trabalhar com o piso da meta fiscal com o piso real. Além disso, mesmo com o contingenciamento acima do esperado pelo mercado, em R$ 30 bilhões, o mercado não gostou da incerteza gerada pela fala de Haddad.

“A forma como o governo se comunica é absolutamente geradora de incertezas. O comunicado do contingenciamento veio e depois disso, Haddad falou que se as receitas melhorarem, eles podem rever o contingenciamento. Então, as coisas nunca são categóricas, elas sempre ficam em aberto”, diz Corleta.

Para onde vai o dólar após as medidas de Lula e Haddad?

Embora o mercado passe por estresse nesta sexta-feira (23), os economistas não conseguiram chegar a um consenso dada a incerteza que paira no mercado. André Valério, do Inter, aponta que o recuo do governo, o impacto direto sobre o câmbio foi reduzido, mas ainda há o impacto via ruído na comunicação e aumento de incerteza, além da mensagem de aumento de impostos, que mitiga os benefícios do anúncio de contingenciamento dos gastos.

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“Portanto, podemos ver alguma pressão no curto prazo, mas a médio prazo não vemos essa questão afetando a dinâmica do câmbio, que esse ano tem sido determinada muito mais pela dinâmica internacional, com a tendência de desvalorização global do dólar devido às políticas do governo Trump”, aponta. O especialista calcula que o dólar deve encerrar 2025 cotado a R$ 5,70.

Já Cristiane Quartaroli, do Ouribank, calcula que o mercado deve se ajustar e aceitar que vai conviver com a questão do IOF e vai se ajustar a esse fator. Ela pontua que sua visão para o câmbio é mais otimista que a média do mercado, com a moeda encerrando 2025 abaixo do patamar atual de R$ 5,69. No entanto, a economista não traz um número específico para onde vai o dólar pelo fato do seu banco não trabalhar com uma projeção direta e sim pela tendência do mercado.

Felipe Corleta, da GTF Capital, lembra que o dólar deve ser guiado pelas questões eleitorais nos próximos meses, pois os investidores começam a precificar essas questões ao longo do segundo semestre. “A expectativa para 2026 talvez seja o principal ponto para a dinâmica do câmbio e o cenário externo muito importante também. Se a gente continuar vendo, por exemplo, como hoje essa guerra comercial escalando, isso pesando no preço das commodities, o que pode ser bem negativo para o real”, explica Coleta. O especialista estima que o dólar deve ficar entre R$ 5,60 e R$ 5,70 no curto prazo.

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