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Tempo Real

Verde vê mérito em mudanças do IR para investimentos, mas chama tema de “indigesto”

Em carta mensal, gestora criticou ausência de sinal de controle sobre os gastos do governo

Por Beatriz Rocha

10/06/2025 | 19:50 Atualização: 10/06/2025 | 19:50

Luis Stuhlberger, CEO da Verde Asset. (Foto: Hélvio Romero/Estadão)
Luis Stuhlberger, CEO da Verde Asset. (Foto: Hélvio Romero/Estadão)

A Verde Asset, comandada por Luis Stuhlberger, considerou as recentes propostas do governo de alterar a tributação de investimentos como um tema “meritoso” ao reduzir distorções. A gestora pondera, no entanto, que a falta de articulação combinada à ausência de sinal de controle sobre os gastos torna o tema “bastante indigesto”. As declarações estão presentes na carta de gestão mensal da casa divulgada nesta terça-feira (10).

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As propostas fazem parte do pacote alternativo, sugerido pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). No último domingo (8), o chefe da pasta econômica se reuniu com lideranças do Congresso Nacional para encontrar saídas para compensar a perda de arrecadação prevista pela medida anterior.

Segundo o Ministério da Fazenda, a proposta atual prevê que ativos até então isentos de Imposto de Renda (IR) sejam tributados em 5%. Caso a medida seja aprovada, produtos financeiros como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) seriam afetados.

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Nesta terça-feira, Haddad também confirmou que será fixada uma alíquota de 17,5% para aplicações financeiras que hoje seguem a tabela regressiva do Imposto de Renda (IR). O ministro disse ainda que uma das medidas a serem publicadas pelo governo será elevar a alíquota aplicada em Juros sobre Capital Próprio (JCP) de 15% para 20%.

Na opinião da Verde, é pouco provável que saia do Congresso algum aumento substantivo de receitas e, como o Executivo precisa lidar com objetivos eleitorais em meio a uma crise de popularidade, a saída será “jogar a conta para a frente”. A gestora reflete que a animação com os ativos brasileiros, especialmente com a Bolsa de Valores brasileira, parece ter encontrado algum limite imposto pela realidade difícil da situação fiscal.

No final de maio, Stuhlberger, gestor do fundo Verde, havia classificado o aumento do IOF proposto pelo governo como “assustador”. Segundo ele, as mudanças no imposto foram uma “aula de psicologia gratuita” do que o PT pensa. Para o gestor, a elevação das alíquotas estava associada à ideia do governo de reajustar os pagamentos do Bolsa Família, em resposta à perda de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“É tipo assim: ‘vamos distribuir dinheiro, vamos aumentar a arrecadação, não importa que seja de uma maneira unfair [injusta]’”, comentou Stuhlberger.

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Ele acrescentou que o mais assustador foi a tentativa de taxar as operações de câmbio, que, conforme descreveu, foi como cobrar um “pedágio” de quem precisa comprar a moeda americana. “Isso é muito scary [assutador] porque, na minha opinião, deveria aumentar a precificação do tail risk [risco de cauda] negativo do PT”, declarou o gestor no evento anual do fundo Verde.

Gestora subestimou probabilidade de governo Trump “ceder tão rápido”

Na carta de gestão mensal, também foi citada a redução do risco percebido pelos mercados em relação ao conflito comercial global. De acordo com a casa, o governo chinês tem usado de maneira efetiva a ameaça velada de suprimir exportações de metais cruciais em várias cadeias de suprimento, como de automóveis, eletrônicos e até de defesa. Foi por conta dessa ameaça, na avaliação da gestora, que o governo de Donald Trump recuou tanto na retórica quanto na prática da imposição de tarifas.

“Subestimamos a probabilidade de o governo Trump ceder tão rápido e não conseguimos capturar essa recuperação do mercado acionário americano. Ainda assim, tivemos ganhos em outras classes de ativos como inflação e cripto“, destaca a carta.

A Verde reflete que a incerteza sobre os desenvolvimentos de curto prazo continua bastante alta, já que os choques inflacionários e de confiança na economia americana são muito recentes. “Ao longo dos próximos dois a três meses, devemos ter mais clareza. Continuamos a esperar surpresas inflacionárias”, diz.

Ao mesmo tempo, a gestora acredita que a penetração da Inteligência Artificial (IA) por mais setores tende a reforçar a dinâmica de crescimento, contendo, por outro lado, parte da alta de preços. Com isso em mente, a casa trocou parte da alocação comprada em inflação americana por posições aplicadas em juro real.

As posições atuais do fundo Verde

O fundo Verde teve em maio ganhos em juro real brasileiro, cripto, na posição de inflação americana e no livro de ações local. As perdas vieram de proteções em Bolsa global, do livro de moedas e da posição comprada em ouro. No mês, o fundo subiu 1,31% ante 1,14% do CDI. Já no acumulado de 2025, o produto rende 6,12%. O CDI, 5,26%.

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De acordo com a carta mensal, o fundo da Verde Asset mantém alocação zerada em Bolsa brasileira e está levemente vendido em Bolsa global. No Brasil, tem posições compradas em juro real. Já nos Estados Unidos, reduziu a posição de inflação e iniciou alocações aplicadas em juro real. Em moedas, zerou posições vendidas no renminbi chinês, estando comprado em euro, ouro e real. Ainda reduziu marginalmente a alocação em criptomoedas e manteve os livros de crédito high yield (opções com alto retorno, mas também com alto risco) local e global.

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