Segundo cálculos do Itaú BBA, medicamentos genéricos costumam operar com margem bruta entre 50% e 55%, embora o semaglutida, molécula mais complexa, possa limitar esse patamar. Em simulações para a RD, mesmo com recuo de 35% no preço e margem de 25%, as vendas do genérico já seriam positivas para o lucro em 2026. Com margem de 30% e aumento de 20% no volume comercializado, o incremento no lucro líquido poderia chegar a 11%.
O movimento já começa a ganhar corpo no mercado, de acordo com avaliação do analista do banco, Rodrigo Gastim. Nesta segunda-feira, 4, chegam as primeiras canetas para o tratamento de obesidade e diabete de produção 100% nacional, da farmacêutica EMS. Os produtos têm como princípio ativo a liraglutida (mesma substância presente nos medicamentos de referência Saxenda e Victoza, da Novo Nordisk) e foram viabilizados com a queda das patentes em 2024.
Para Gastim, esse lançamento deve servir como termômetro da disposição do consumidor a migrar para opções mais acessíveis. Ainda assim, o ele vê impacto limitado dessa primeira onda, já que a liraglutida tem eficácia inferior ao semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy.
“Vemos a entrada de genéricos da semaglutida como um possível catalisador para o setor de drogarias, considerando tanto a penetração ainda baixa desses medicamentos quanto o potencial de expansão da base de consumidores com preços mais acessíveis”, diz.