Agosto não foi (nem de longe) o mês do desgosto nos mercados
Apesar das tarifas americanas e da cautela com a inflação dos EUA, agosto trouxe novos recordes ao Ibovespa e sinalizações de corte de juros pelo Federal Reserve
Ibovespa atinge nova máxima histórica em agosto, impulsionado pelo otimismo externo e pela recuperação das commodities. (Foto: Adobe Stock)
A última sessão de agosto começou em clima de realização para os principais mercados acionários globais. O mês foi marcado pela efetiva implementação das tarifas americanas, mas também pela sinalização cada vez mais clara de que o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) deve iniciar um ciclo de cortes de juros nos próximos meses.
Ainda assim, a cautela persiste entre investidores, à espera dos novos dados de inflação nos Estados Unidos – que podem definir o ritmo e a intensidade da futura flexibilização monetária.
No câmbio, o dólar caminha para seu primeiro ganho semanal em quatro semanas. Já os rendimentos dos Treasuries seguem em alta, enquanto os contratos futuros de petróleo, apesar da recuperação recente, ainda acumulam perdas no mês em meio a preocupações com excesso de oferta e tensões geopolíticas.
No mercado de commodities, o minério de ferro avançou 0,77% na madrugada em Dalian, a US$ 110,43 por tonelada.
O movimento reflete tanto os cortes de produção em um centro siderúrgico próximo a Pequim quanto a notícia de que autoridades chinesas planejam limitar a produção também no próximo ano.
Esse quadro externo deve abrir espaço para uma realização de lucros no mercado brasileiro nesta sexta-feira (29), especialmente após o Ibovespa ter atingido uma nova máxima histórica intradiária ontem. Além disso, a autorização do governo para que o Itamaraty inicie um processo de reciprocidade contra as tarifas americanas tende a aumentar as incertezas e reforçar a postura cautelosa dos investidores.