O dólar hoje fechou em baixa, nesta segunda-feira (13), com o mercado atento ao alívio das tensões entre Estados Unidos e China. Na sexta-feira (10), após o fechamento dos mercados, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou taxar em mais 100% os produtos chineses, mas reduziu o tom no domingo (12) ao dizer que “vai ficar tudo bem”. A China cogita uma retaliação caso as tarifas sejam executadas. No encerramento, a moeda americana terminou em queda de 0,75% a R$ 5,4623. Na mínima, a moeda chegou a R$ 5,4428.
No domingo, o presidente americano disse que os EUA “querem ajudar a China, não a prejudicar”, alegando que o presidente chinês, Xi Jinping, “apenas teve um momento ruim” ao impor restrições à exportação de terras raras. Na sexta-feira, o republicano anunciou uma tarifa de 100% para Pequim em retaliação.
“Não se preocupe com a China; tudo ficará bem! O altamente respeitado Presidente Xi apenas teve um momento ruim. Ele não quer depressão para seu país, e eu também não”, escreveu Trump na Truth Social.
Já o Ministério do Comércio da China informou nesta segunda-feira que adotará medidas de retaliação se os Estados Unidos mantiverem a ameaça de cobrar tarifas adicionais de 100% sobre as importações de produtos chineses, após as restrições impostas por Pequim às exportações de minerais raros. Um porta-voz da pasta deu as declarações à agência estatal Xinhua.
Segundo o porta-voz, “recorrer a ameaças de altas tarifas não é a forma correta de lidar com a China”. O representante do Ministério do Comércio afirmou ainda que as medidas de Pequim são “legítimas” e visam “proteger os direitos e interesses” das empresas chinesas. O porta-voz reiterou que o país “não quer uma guerra comercial, mas não tem receio dela”, e pediu que Washington “corrija rapidamente sua abordagem equivocada e preserve os avanços obtidos nas negociações”.
As novas regras chinesas ampliam a lista de minerais sob controle e estendem as restrições à produção e ao uso das substâncias no exterior, inclusive em aplicações militares e de semicondutores. O governo chinês ressaltou que “os controles de exportação não são proibições e que pedidos para uso civil poderão ser aprovados normalmente”.
A escalada da tensão na relação entre os dois países ocorre após os Estados Unidos adicionarem novas empresas chinesas à lista de controle de exportações, incluindo subsidiárias, e anunciarem tarifas portuárias especiais sobre navios chineses. O presidente americano, Donald Trump, chamou as medidas chinesas de “extremamente hostis” e “uma desgraça moral”.
Cenário fiscal no Brasil afeta o dólar hoje
Dados da balança comercial da China, com um aumento bem acima do esperado das importações do país, ajudaram também as moedas emergentes, em geral, nesta segunda-feira. Mas o cenário fiscal e político no Brasil continuou limitando uma melhora dos ativos locais, após a reação negativa do mercado ao “pacote de bondades” estudado pelo governo, que pode ter impacto de até R$ 100 bilhões em 2026.
No radar dos investidores está ainda a cúpula pela paz em Gaza, liderada por Donald Trump e Abdel Fattah al-Sisi no Egito, nesta segunda-feira. Nos EUA, o feriado do Dia de Colombo mantém o mercado de Treasuries (títulos públicos americanos) fechado, enquanto a safra de balanços do terceiro trimestre começa na terça-feira (14) com JPMorgan, Citi e Wells Fargo. A paralisação do governo americano prossegue e limita dados econômicos, e o foco está nas reuniões do FMI e Banco Mundial e em discursos de dirigentes do Fed, como de seu presidente Jerome Powell, na terça.
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) reafirmou nesta segunda a sua previsão para o crescimento da demanda global pela commodity este ano, em 1,3 milhão de barris por dia (bpd). Se confirmada a projeção, o consumo global somaria 105,14 milhões de bpd em 2025. Para 2026, a Opep também manteve a projeção de alta na demanda, em 1,4 milhão de bpd, o que traria o consumo total para 106,52 milhões de bpd.
Publicidade
No Brasil, destaque para os indicadores de atividade de agosto de serviços, varejo e IBC-BR nos próximos dias. Há expectativas ainda pela reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com ministros, na quarta-feira (15), para discutir alternativas de arrecadação após a rejeição da MP do IOF.
O presidente Lula está em Roma hoje, onde se encontrou com o Papa Leão XIV, no Vaticano. No boletim Focus, a projeção suavizada de IPCA 12 meses à frente passou de 4,21% para 4,13%. Para mais informações sobre o dólar hoje, clique aqui.