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Direto da Faria Lima

A geração de investidores que pensa em dólar: o novo movimento que a Avenue quer liderar

Quando a corretora surgiu, em 2018, queria solucionar um problema de oferta no mercado de capitais; agora, o foco está na demanda crescente por ativos no exterior

Por Luíza Lanza
Editado por Geovana Pagel

12/11/2025 | 5:30 Atualização: 12/11/2025 | 8:55

Roberto Lee, fundador e CEO da Avenue. (Foto: Divulgação/Avenue)
Roberto Lee, fundador e CEO da Avenue. (Foto: Divulgação/Avenue)

Nova York – Quando a Avenue surgiu, em 2018, com a proposta de facilitar o acesso de brasileiros a investimentos offshore, não era uma história sobre demanda. O mercado de capitais brasileiro enfrentava um problema de estrutura, criado nos anos anteriores com a forte expansão de plataformas abertas, aumento na captação e falta de produtos que dessem conta dessa alocação, sobretudo para clientes de tíquete mais elevado. O dinheiro entrava, mas a indústria não tinha capacity para lidar com ele.

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“Ficou muito óbvio que só existia um caminho: acessar o mercado internacional e internacionalizar as plataformas. Num País de baixa educação financeira, é sempre a oferta que guia a demanda, e ela viria se estruturássemos um negócio de longo prazo”, conta Roberto Lee, fundador e CEO da Avenue.

De lá para cá, a instituição provou que o modelo de negócios que propunha podia ser bastante lucrativo. Agora, tem mais de 1 milhão de clientes e dezenas de bilhões sob custódia – a empresa não abre o valor dos ativos sob custódia, mas em meados de 2024, quando teve 50,1% da participação adquirida pelo Itaú, falava-se de uma base de R$ 20 bilhões. E uma missão: liderar a modernização do ecossistema brasileiro para uma nova fase do mercado de investimentos internacionais, que tende a ganhar cada vez mais espaço nas carteiras dos investidores brasileiros.

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Dessa vez, não é só uma questão de infraestrutura de mercado, mas, também, de demanda. É o que Lee tem chamado de “diáspora patrimonial”.

O argumento é que as novas gerações de brasileiros terão vidas cada vez mais globalizadas, e não só nas finanças, mas na educação, no consumo e no trabalho. Essa não é uma opinião apenas da Avenue, assim como também não é uma novidade.

Uma pesquisa do Datafolha feita em 2018 já mostrava que 62% dos jovens brasileiros entre 16 e 24 anos tinham o sonho de morar no exterior. Este outro levantamento do Salão do Estudante feito neste ano mostra que o desejo de estudar fora é um dos grandes motores por trás.

Para prosperar no mercado financeiro nos próximos anos como negócio vai ser preciso atender às demandas dessa geração, que vai precisar ter parte relevante dos recursos em dólares. Na prática, ser a instituição que fará a ponte desses brasileiros na diáspora para o exterior. Quem não fizer isso, vai se tornar irrelevante, diz Lee, como aconteceu entre 2012 e 2015, com bancos e instituições que não lançaram as próprias plataformas abertas.

“O próximo capítulo da competição financeira é no no offshore e é aqui nos Estados Unidos”, afirma.

A visão do executivo é que o mercado global tende a se concentrar nos EUA, inclusive o brasileiro. Grandes empresas locais vão se listar no exterior, deixando a B3 como um mercado de acesso. Sem grandes choques para os novos investidores.

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“Hoje, os jovens fazem o primeiro investimento em uma ação americana ou em uma criptomoeda. E nem sabem que não era possível fazer isso há 5 anos. Daqui a muito pouco tempo, teremos uma legião de nativos digitais”, diz Lee. “Força a visão de que todo mundo terá que ter uma infraestrutura para se conectar offshore.”

Avanço no ecossistema

A estrutura que permite o acesso a investimentos internacionais se modernizou nos últimos anos. Abrir uma conta offshore, por exemplo, levava em média 18 dias úteis. Agora, pode ser feito em minutos e de forma completamente digital.

Mas ainda há caminhos para serem trilhados. São três grandes desafios, segundo o CEO da Avenue. Infraestrutura, ter robustez suficiente para atender grandes volumes sem depender dos serviços dos bancos americanos. Profissional, treinar os operadores para oferecer serviços internacionais além dos investimentos, incluindo crédito, seguros. E regulatório, modernizar as regras para permitir a conexão do mercado brasileiro ao exterior.

“É um avanço da categoria, não da empresa”, pontua Lee.

Acesso aos “global market legends”

Os últimos lançamentos anunciados pela Avenue vão na direção das grandes tendências de investimento global, com produtos, infraestruturas e estratégias mais difíceis de serem acessadas nos pares do Brasil. É uma aposta no que a casa chama de “global market legends”, os grandes nomes do mercado americano como Pimco, BlackRock, J.P Morgan e Blue Own.

Em outubro, a Avenue passou a ofertar stablecoins USDC. Pouco tempo antes, no mesmo mês, já tinha anunciado fundos alternativos globais, com aportes mínimos a partir de US$ 10 mil. Desde julho, clientes podem comprar também UCITS ETFs, também conhecidos como “ETFs irlandeses” – um ETF domiciliado na Europa, com vantagens tributárias e sucessórias.

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Como mostramos aqui, é uma estratégia para atrair a alta renda. Desde 2021, quando começou a atuar também no B2B, oferecendo serviços para outras empresas do mercado, o número de parceiros saiu de 130 para mais de 700 em 2025. Oferecendo mais e mais soluções internacionais, consegue atender ao público das casas de wealth management, que também está cada vez mais interessado em investir fora do Brasil.

Leia também: Na alta renda, todo mundo disputa o mesmo dinheiro

A Avenue levou um grupo de jornalistas brasileiros para uma imersão na sede dessas grandes gestoras em Nova York na última semana. Você pode ler aqui as respostas da Black Rock para as dúvidas de investidores globais e a aposta do JP Morgan para liderar a tendência do mercado de ETFs nos EUA.

 

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