“Venezuela é inviável”: ExxonMobil alerta Trump e fecha a porta para bilhões no petróleo
Em reunião na Casa Branca, CEO da maior petroleira dos EUA afirma que expropriações, insegurança jurídica e regras atuais inviabilizam novos investimentos no país
Expropriações e insegurança jurídica afastam capital: ExxonMobil descarta investir na Venezuela (Foto: Adobe Stock)
A possibilidade de retomada de investimentos no setor de petróleo da Venezuelafoi discutida, na última sexta-feira (9), em uma reunião na Casa Branca entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e executivos da indústria de óleo e gás, entre eles o CEO e chairman da ExxonMobil, Darren Woods. Ao levar a visão da maior petroleira americana ao presidente, Woods foi direto ao ponto: nas condições atuais, investir na Venezuela é inviável.
Segundo o executivo, a presença de vários líderes do setor no encontro reflete um dilema estrutural da indústria. Trata-se, nas palavras dele, de um “negócio de exaustão”, em que as empresas precisam continuamente repor reservas para atender a uma demanda que seguirá elevada por muitas décadas.
Nesse contexto, a Venezuela chama atenção pelo volume de recursos disponíveis. O problema, destacou Woods, não é encontrar petróleo no país, mas desenvolver esses recursos de forma segura e economicamente viável.
Ao explicar a lógica de atuação da ExxonMobil no mundo, Woods afirmou que a companhia adota sempre uma visão de longo prazo.
“Os investimentos que fazemos se estendem por décadas e décadas. Não entramos em nenhuma oportunidade com uma mentalidade de curto prazo”, disse o CEO, ao ressaltar que qualquer projeto precisa atender a uma equação clara de valor.
Essa equação, segundo ele, precisa ser um “ganha-ganha-ganha”: retorno para a empresa e seus acionistas, benefícios fiscais e econômicos para o governo anfitrião e ganhos concretos para a população local.
“Precisamos ser bem-vindos e ser bons vizinhos”, afirmou, ao defender que só esse tripé assegura estabilidade para investimentos de grande porte no longo prazo.
Foi nesse ponto que a Venezuela apareceu como um exemplo negativo. Woods lembrou que a ExxonMobil tem uma relação histórica com o país desde os anos 1940, mas também marcada por conflitos.
“Tivemos nossos ativos expropriados duas vezes. Dá para imaginar que voltar pela terceira vez exigiria mudanças bastante significativas em relação ao que vimos no passado e ao estado atual do país”, afirmou.
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O diagnóstico do executivo foi ainda mais contundente ao tratar do ambiente institucional venezuelano.
Segundo Woods, os marcos legais e comerciais vigentes hoje tornam o país “inviável”. Para que isso mude, ele citou a necessidade de reformas profundas: alteração das leis de hidrocarbonetos, fortalecimento do sistema jurídico e criação de proteções duráveis ao investimento estrangeiro.
Apesar da avaliação negativa, o CEO da ExxonMobil indicou que vê espaço para uma transformação, desde que haja articulação política.
Ele afirmou estar confiante de que, com o governo Trump trabalhando “lado a lado” com a Venezuela, essas mudanças poderiam ser implementadas. Ainda assim, ponderou que a empresa não mantém diálogo direto com o governo venezuelano no momento e tampouco avaliou a receptividade da população local a um eventual retorno da ExxonMobil.
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No curto prazo, Woods destacou que há medidas técnicas que poderiam ser adotadas mesmo antes de uma solução estrutural.
A ExxonMobil está fora da Venezuela há quase 20 anos e, segundo ele, seria essencial enviar uma equipe técnica ao país para avaliar o estado atual dos ativos e da indústria.
“É absolutamente crítico entender o que seria necessário para ajudar o povo venezuelano a colocar a produção de volta no mercado”, disse.
O executivo afirmou ainda que, caso haja convite do governo venezuelano e garantias adequadas de segurança, a empresa estaria disposta a colocar uma equipe em campo.
Ele ressaltou que a ExxonMobil possui capacidades integradas (da produção ao refino e à comercialização) que poderiam ajudar a levar o petróleo venezuelano ao mercado internacional e a preços de mercado, contribuindo para aliviar a situação financeira do país.
Ao encerrar sua fala, Woods agradeceu a Trump e a membros do governo americano pelo que chamou de esforços para garantir não apenas a segurança nacional, mas também a segurança energética da região. A mensagem central, no entanto, ficou clara: sem mudanças profundas nas regras do jogo, a Venezuela seguirá fora do radar de investimentos da maior petroleira dos Estados Unidos.