Em agosto do último ano, o BB revisou seu payout, que antes estava em 40%. O anúncio foi feito junto à divulgação do balanço do segundo trimestre do banco. Para 2026, a estimativa de um payout mais contido, ainda em 30%, vem do fato de que o banco prioriza a preservação de capital diante de novos requisitos regulatórios esperados para pressionar os índices de capital neste ano.
No encontro com a administração do BB, as discussões se concentraram na carteira do agronegócio, que tem passado por um período de estresse. Em suas considerações iniciais, o CFO (diretor financeiro) da instituição, Geovanne Tobias, disse estar aliviado pelo último ano ter terminado, já que 2025 foi muito desafiador, com o Banco de Brasil entregando um lucro final cerca de 50% abaixo do que se esperava apenas doze meses antes.
Na avaliação do BTG, os resultados do quarto trimestre devem mostrar alguma melhora marginal em relação ao terceiro trimestre. O banco, no entanto, disse ter saído do encontro com a impressão de que a visibilidade continua baixa em relação ao BB.
“O primeiro semestre de 2026 ainda deve ser fortemente impactado por provisões, com o segundo trimestre surgindo como um ponto-chave de inflexão, pois marca os primeiros vencimentos de empréstimos da última safra, originados sob uma nova política”, afirma.
Se os pagamentos melhorarem, o Banco do Brasil pode começar a ver uma recuperação mais forte no segundo semestre de 2026. “No geral, seguimos acreditando que essa não será uma solução simples, especialmente porque o BB precisará recompor reservas e capital. E melhorar o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) enquanto se reduz a alavancagem costuma ser doloroso”, acrescenta o BTG.
A administração ainda pontuou que a inadimplência acima de 90 dias deve continuar em tendência de alta no BB, sendo os indicadores de inadimplência em estágio inicial as métricas mais relevantes a serem monitoradas nos próximos trimestres, já que podem se estabilizar na carteira agro no início de 2026, com abril como um mês-chave, dada a pesada agenda de pagamentos no segundo trimestre.
Medida Provisória 1.314/25
Outro tema debatido no encontro foi a Medida Provisória (MP) 1.314/25, que estabelece condições especiais para produtores rurais negociarem e amortizarem dívidas.
Na avaliação do BB, a medida demorou mais do que o inicialmente esperado para entrar em vigor – sinalização já dada pela administração do banco na teleconferência de resultados do terceiro trimestre, onde foi destacada a frustração com o ritmo lento de originação e renegociação com alguns clientes.
A boa notícia é que a execução melhorou, com o BB agora no caminho para alcançar cerca de R$ 25 bilhões em desembolsos, oferecendo aos produtores mais prazo para lidar com pressões de fluxo de caixa. Os incentivos da MP também devem destravar algum alívio de capital no quarto trimestre de 2025.
Durante o encontro, o CFO do BB reconheceu que o banco demorou a perceber que não dispunha de garantias mais robustas, especialmente porque muitos produtores entraram com pedidos de recuperação judicial. A empresa dependia de hipotecas, enquanto pares, como o Itaú (ITUB4), já haviam migrado para estruturas de alienação fiduciária – modalidade em que o credor mantém a propriedade do bem até o pagamento integral da dívida.
Segundo o CFO, o BB está fazendo um esforço significativo para migrar todos os novos contratos para esse tipo de estrutura. “Essa mudança, porém, tem pesado sobre o crescimento, criando um processo de concessão mais burocrático e lento, e ainda não está claro quão eficaz será essa transição no fim das contas”, pondera o BTG.
A administração do Banco do Brasil ainda indicou que a carteira agro deve permanecer praticamente estável ao longo de 2026 e admitiu que a empresa provavelmente continuará perdendo participação de mercado antes de se ajustar totalmente a esse novo ambiente.
Para compensar o crescimento mais fraco no agro, o BB aumentou o foco em linhas de crédito para pessoas físicas de maior retorno, especialmente empréstimos consignados, que já superaram R$ 12 bilhões em saldo, tornando o BB o segundo maior player, atrás do Itaú.
Venda de participação no BB Seguridade (BBSE3)?
Apesar da pressão recente sobre os índices de capital, o Banco do Brasil afirmou que há qualquer discussão sobre a venda de participação no BB Seguridade (BBSE3). Segundo a administração, vendas de ativos podem ocorrer de acordo com a oportunidade, mas não são prioridade estratégica. O BB destacou ainda seu longo histórico de joint ventures (alianças estratégicas entre empresas) bem-sucedidas com o setor privado, permanecendo aberto a buscar estruturas semelhantes.