O programa Pé-de-Meia pode servir como ponto de partida para o planejamento financeiro dos estudantes. (Foto: Adobe Stock)
O programa Pé-de-Meiaé um benefício estudantil, criado como um incentivo para a permanência escolar. Ao cumprir todos os requisitos, o estudante pode receber até R$ 9.200 ao longo dos três anos, valor que pode servir como ponto de partida para um planejamento financeiro de longo prazo.
O Pé-de-Meia funciona como uma poupança estudantil, criada para estimular a permanência e a conclusão do ensino médio por alunos da rede pública. Ao longo do ano letivo e ao final de cada etapa escolar, o programa deposita valores diretamente aos estudantes, como forma de incentivo à continuidade dos estudos, sendo:
Incentivo-Matrícula: pagamento único de R$ 200 no início de cada ano letivo;
Incentivo-Frequência: nove parcelas mensais de R$ 200 para estudantes com frequência mínima de 80% das aulas;
Incentivo-Conclusão: R$ 1.000 por ano, liberados apenas após a conclusão do ensino médio;
Incentivo-Enem: R$ 200 adicionais para alunos do 3º ano que participarem dos dois dias do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Ao final dos três anos, o estudante pode acumular um valor significativo, capaz de estimular escolhas mais conscientes do ponto de vista financeiro.
“O Pé-de-Meia não é um prêmio; ele é uma ponte entre onde o estudante está e onde ele quer chegar, permanecer na escola, concluir e abrir portas para a próxima etapa. Isso muda tudo: maximizar o benefício é maximizar a chance de continuidade”, afirma Edson Cerqueira, planejador financeiro CFP pela Planejar.
O E-Investidor ouviu especialistas e reuniu estratégias para ajudar os jovens a usar melhor os recursos do Pé-de-Meia, promovendo hábitos financeiros mais saudáveis desde cedo. Confira a seguir.
Estratégias para maximizar os benefícios do Pé-de-Meia
Para Cerqueira, o planejamento é o elemento central para extrair o melhor do programa. “O dinheiro sem propósito é vento: te empurra para qualquer vitrine. Já o dinheiro com propósito é bússola: te leva para onde você quer chegar”, resume.
Na prática, o especialista sugere que os estudantes iniciem o planejamento em três passos simples e educativos:
Definir objetivos: para que esse dinheiro serve? Em geral, a prioridade é garantir a permanência na escola (transporte, alimentação, internet e material). Nomear o objetivo ajuda a evitar gastos aleatórios;
Criar um plano mínimo: dividir o valor em categorias estudo, reserva e metas. Isso ensina noções básicas de orçamento e autocontrole;
Conectar o benefício ao projeto de vida: refletir sobre como decisões de hoje podem ampliar ou limitar oportunidades no futuro é a essência do planejamento financeiro.
Mesmo com a liberação parcial dos recursos, os jovens também podem considerar estratégias simples de investimento. Até a liberação do Incentivo-Conclusão, os valores podem render na poupança ou no Tesouro Selic, conforme a escolha do estudante — saiba mais sobre esse serviço no site do Tesouro Direto. Segundo Cerqueira, o Tesouro Selic é uma alternativa interessante por combinar segurança, liquidez e rentabilidade, por se tratar de um título público federal.
“Para o jovem, o maior risco não é ganhar pouco, mas perder dinheiro por pressa, complexidade ou promessas de retorno fácil. Por isso, o melhor caminho é priorizar produtos simples, transparentes e conservadores”, reforça Cerqueira.
A falta de planejamento pode levar os jovens a utilizar os recursos apenas como auxílio imediato, em compras pontuais e gastos momentâneos, desviando-se do objetivo de formar uma reserva financeira.
Para Cerqueira, isso não é necessariamente um erro, desde que haja consciência. “O Pé-de-Meia foi desenhado justamente com esse equilíbrio: parte ajuda no curto prazo e outra funciona como uma poupança de longo prazo. É renda com propósito e reserva com intenção”, explica.
Segundo Rodolfo Takahashi, CEO da Gooroo Crédito, o equilíbrio está no uso consciente do dinheiro. “Quando o aluno aprende a otimizar recursos e gastar menos, consegue usar o dinheiro de forma mais eficiente, sempre alinhado aos estudos e ao próprio desenvolvimento”, afirma.
Entre as armadilhas mais comuns, os especialistas destacam:
Impulso e comparação social: gastar para pertencer ou aparentar status gera custos emocionais e financeiros;
Falta de controle básico: não acompanhar saldo, não registrar gastos e não estabelecer metas;
Vulnerabilidade a golpes: jovens com pouca experiência financeira tornam-se alvos fáceis.
Para evitar esses problemas, a recomendação é investir em educação financeira, aprendendo a diferenciar desejo de necessidade e a planejar o consumo. Neste link, reunimos três cursos gratuitos da B3 que podem ajudar nesse processo.
“O planejamento é o contraponto da impulsividade. Decisões apressadas aliviam por instantes, mas geram resultados frágeis e um ciclo de culpa e ansiedade. Já o planejamento organiza as escolhas, conduz ao autocontrole e cria compromissos com metas de longo prazo. Essa disciplina traz tranquilidade, senso de realização e resultados mais consistentes”, diz Ana Paula Hornos, psicóloga financeira.
Da juventude para a vida
Embora voltado à juventude, o Pé-de-Meia pode gerar aprendizados para uma vida inteira, fomentando conceitos de planejamento, limites, valor do dinheiro e responsabilidade.
Publicidade
Para Cerqueira, o programa ensina o conceito de troca intertemporal, isto é, decidir o que fica para hoje e o que fica para amanhã. “Trata-se da habilidade de adiar uma satisfação imediata para conquistar algo maior no futuro”, avalia.
Saber equilibrar o uso do benefício com as necessidades do dia a dia pode abrir caminho para projetos maiores, como uma graduação, um curso técnico ou o aprendizado de uma segunda língua.
“O Pé-de-Meia ajuda o estudante a entender, desde cedo, que o dinheiro é resultado de esforço, estudo e dedicação. Boas decisões financeiras hoje podem se transformar em crescimento e oportunidades no futuro”, conclui Takahashi.