A valorização de 0,58% nos preços do petróleo Brent ajudou a conter uma queda maior do índice, que cravou nova máxima histórica, aos 166.069,84 pontos, no último pregão.
Contudo, alguns papéis mais sensíveis ao ciclo econômico caíram, apesar do IBC-Br acima do esperado (veja mais abaixo), dado que os juros futuros tiveram viés de alta. Segundo analistas, a atividade econômica brasileira demonstra sinais de acomodação, mas continua resistindo em alta, a despeito do aperto monetário. Neste sentido, pode fazer com que o Comitê de Política Monetária (Copom) demore mais para iniciar o processo de queda da taxa Selic, que está em 15% ao ano. Por ora, boa parte do mercado espera o primeiro corte em março.
O crescimento do IBC-Br não apenas ficou acima do esperado pelos analistas, como também houve revisões para cima no indicador de alguns meses anteriores, pontua a Terra Investimentos. Além disso, destaca-se o avanço quase generalizado dos componentes do indicador do BC. Atualmente, a casa estima queda de 0,2% para o IBC-Br de dezembro, com alta de 2,3% na comparação com o mesmo mês de 2024.
“O desempenho foi predominantemente positivo em novembro, com a indústria liderando as altas, de 0,8% na margem. Mesmo assim, a agropecuária representou a única queda, recuando 0,3%”, menciona a instituição.
Ainda, a baixa de 0,49% do minério de ferro na China pressionou o índice Ibovespa hoje. No câmbio, o dólar hoje avançou 0,08% ante o real, a R$ 5,3726 na venda.
Ibovespa hoje: os destaques do mercado de ações nesta sexta-feira (16)
Bolsas de NY fecham em queda em meio a riscos geopolíticos
Os índice de Nova York fecharam em queda nesta tarde, enquanto as bolsas da Europa encerraram majoritariamente em baixa em meio às questões geopolíticas. Tropas europeias chegaram na noite de quinta-feira (15) à Groenlândia, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, pressiona pela sua aquisição ou anexação.
Os EUA deslocaram ao menos um porta-aviões para o Oriente Médio em meio à escalada das tensões com o Irã. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, aproveitou seu primeiro discurso ao Congresso para defender reformas na indústria petrolífera que atrairiam investimentos estrangeiros.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse que o país está obtendo um preço 30% mais alto pelo petróleo bruto venezuelano. Já o conselheiro Econômico Nacional dos EUA, Kevin Hassett, um dos principais candidatos a se tornar o próximo presidente do Fed, afirmou nesta quinta-feira que o BC americano precisa ser independente, à luz da investigação contra o atual presidente da instituição, Jerome Powell.
Prévia do PIB cresce acima da mediana das estimativas
Um dia após os números acima do esperado do varejo, o mercado acompanha o IBC-Br. A prévia do PIB subiu 0,68% em novembro, após queda de 0,25% em outubro. O resultado veio acima da mediana das estimativas (0,35%), mas dentro do intervalo de projeção, que iam de recuo de 0,10% até avanço de 0,80%.
Para Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, o resultado de novembro reforça a perspectiva de aquecimento da atividade econômica no País.
Quanto aos juros, para a economista, os dados do IBC-Br expõem uma possibilidade de cortes apenas em março. “Corte já em janeiro nos parece precipitado dada a incerteza do comportamento da atividade econômica, e a resiliência do mercado de trabalho”, expõe.
O que mais repercutiu no Ibovespa hoje
O investidor também repercutiu a notícia de que a Petrobras (PETR3;PETR4) fechou 2025 com produção acima das metas. No radar, esteve ainda o encontro de hoje do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, para discutir os próximos passos do Acordo de Parceria Mercosul–União Europeia.
A assinatura do acordo deve ocorrer neste sábado (17) no Paraguai. A expectativa do Planalto é que o acordo, negociado desde 1999 com Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, membros fundadores do bloco sul-americano, seja ratificado no primeiro semestre.
Agenda econômica do dia
O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) subiu 0,29% em janeiro, após alta de 0,04% em dezembro, divulgou a Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado ficou perto do teto das estimativas, de 0,30%, encontrado em pesquisa feita pelo Projeções Broadcast, cujo piso era de 0,04%, com mediana em 0,23%. A alta mensal de 0,29% é a mesma do ano. Em 12 meses, o indicador acumula recuo de 0,99%.
Nos Estados Unidos, a produção industrial subiu 0,4% em dezembro ante novembro, segundo dados publicados pelo Federal Reserve (Fed) nesta sexta-feira. O resultado ficou acima da expectativa de analistas consultados pela FactSet, que previam alta de 0,1%.
Nos EUA, também foi divulgado o índice de confiança das construtoras, medido pela Associação Nacional de Construtoras, que recuou dois pontos em janeiro, a 37. A previsão de analistas consultados pelo Wall Street Journal era de estabilidade em 39 pontos no período. Leituras abaixo de 50 indicam que mais construtoras veem as condições como ruins do que boas.
Esses e outros dados do dia ficaram no radar de investidores e impactaram as negociações na bolsa de valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa hoje.
*Com informações de Luciana Xavier e Silvana Rocha, do Broadcast