No centro das atenções seguiram as novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, envolvendo tarifas comerciais e a defesa da anexação da Groenlândia, o que reacendeu o risco de um novo trade comercial entre Washington e a União Europeia.
Com agenda econômica doméstica esvaziada, o mercado brasileiro reagiu principalmente aos movimentos do exterior, em especial à dinâmica dos juros americanos, do câmbio e das commodities.
Mercados caem no exterior
O dia foi marcado por forte aversão ao risco nos mercados globais. As Bolsas de Nova York recuaram quase 2%, enquanto as principais praças europeias fecharam em baixa. O movimento refletiu a preocupação com uma possível escalada de tensões entre Estados Unidos e Europa, após Trump ameaçar impor tarifas a países europeus caso não haja acordo em torno da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca.
O aumento das incertezas geopolíticas elevou a busca por proteção. O ouro renovou máximas históricas e superou US$ 4.700 por onça-troy, reforçando o clima defensivo nos mercados internacionais.
Outro ponto de atenção foi a expectativa em torno da Suprema Corte dos Estados Unidos, que pode julgar a legalidade das tarifas impostas por Trump. O governo americano já sinalizou que, em caso de derrubada, pretende substituir rapidamente os tributos por novas medidas, o que mantém o risco comercial no radar dos investidores.
Juros, dólar e commodities em foco
No mercado de renda fixa, os rendimentos dos Treasuries (títulos do tesouro americano) apresentaram movimentos mistos, com queda nos vencimentos mais curtos e alta nos prazos longos, em meio à reprecificação de riscos após o feriado nos EUA. A dinâmica dos juros americanos seguiu como um dos principais vetores para os mercados emergentes.
O dólar perdeu força frente às principais moedas globais, como euro, libra e iene, refletindo o aumento das tensões políticas e comerciais. No mercado doméstico, fechou em alta de 0,31%, a R$ 5,3805.
Os preços do petróleo encerraram no campo positivo, após oscilações ao longo da manhã, com o mercado ponderando os efeitos do ambiente geopolítico sobre o crescimento da economia global.
Bancos no radar do investidor
O setor financeiro segue no centro das atenções após a liquidação do Banco Master. A avaliação predominante entre participantes do Fórum Econômico Mundial, em Davos, é de que a instituição não tem porte para gerar um risco sistêmico ao sistema bancário brasileiro.
Ainda assim, o mercado acompanha com cautela possíveis efeitos sobre o Banco de Brasília (BRB), que adquiriu parte relevante dos ativos do banco. O BRB reafirmou que mantém suficiência patrimonial e operação estável.
No noticiário corporativo, o Banco do Brasil (BBAS3) aprovou payout de 30% do lucro de 2026, a ser distribuído por meio de dividendos e juros sobre capital próprio. A decisão reforça previsibilidade na remuneração aos acionistas, mas tende a ter impacto limitado sobre as ações, dado que o percentual já era amplamente esperado pelo mercado.
Agenda econômica e corporativa
A agenda doméstica não trouxe indicadores econômicos relevantes nesta terça-feira. O principal compromisso do dia foi o leilão de títulos públicos do Tesouro Nacional, com oferta de LFTs, papéis pós-fixados atrelados à taxa Selic, e NTN-Bs, títulos indexados à inflação, pela manhã.
No exterior, os investidores aguardam os balanços da Netflix e da United Airlines, que serão divulgados após o fechamento dos mercados nos Estados Unidos e podem influenciar o humor das Bolsas globais.