Moody's estima que a emissão global de títulos sustentáveis alcance US$ 900 bilhões em 2026, com destaque para títulos verdes e liderança da Europa; América Latina deve ter crescimento moderado. (Imagem: Adobe Stock)
A emissão de títulos sustentáveis no mundo deve alcançar US$ 900 bilhões em 2026, segundo estimativa da Moody’s, divulgada em relatório. Esse volume mostra estabilidade em relação a 2025, a despeito de obstáculos políticos e prioridades concorrentes que podem reduzir os lançamentos em algumas regiões. Os projetos com foco ambiental continuarão a dominar o cenário, com novos investimentos em transição, adaptação e infraestrutura digital completando as atividades dos emissores recorrentes.
A previsão da Moody’s é que os títulos verdes somem a maior quantia, de US$ 530 bilhões. Em seguida aparecem os títulos de sustentabilidade, com US$ 190 bilhões; os títulos sociais, somando US$ 115 bilhões; os de transição, com US$ 40 bilhões; e, por fim, os títulos vinculados à sustentabilidade (SLB), com US$ 25 bilhões. As diferentes necessidades de investimento, bem como o suporte regulatório e político, devem ditar as divergências regionais.
A empresa aponta que há uma parcela significativa de instrumentos sustentáveis com vencimentos próximos, o que pode ampliar a oferta e testar o apetite dos emissores por títulos com rótulo.
Ao analisar cada região, a Moody’s destaca que, na América Latina e no Caribe, os volumes de títulos sustentáveis devem apresentar recuperação moderada em 2026, após um 2025 relativamente fraco. A região totalizou US$ 23 bilhões em 2025, apenas 3% do total global e bem atrás do recorde de US$ 56 bilhões registrado em 2023.
A Moody’s pondera que a América Latina tem exposição significativa a riscos ambientais e sociais, o que gera necessidades de desenvolvimento sustentável que apoiarão as emissões em 2026. “A forte liderança de entidades do setor público, incluindo entidades soberanas e bancos públicos de desenvolvimento, é uma característica única que sustenta as nossas expectativas de crescimento regional no longo prazo”, aponta o relatório.
Demais regiões
De acordo com a Moody’s, a Europaliderará a emissão de títulos sustentáveis em 2026, reafirmando tendência iniciada em 2017. “O mercado europeu de títulos sustentáveis é o mais maduro e diversificado do mundo, com grande variedade de emissores estabelecidos”, diz o relatório. Em 2025, o volume de títulos sustentáveis europeus totalizou US$ 379 bilhões, representando 47% do total global – participação que se mantém estável há vários anos.
A região Ásia-Pacífico (APAC) deve continuar como segunda maior emissora de títulos sustentáveis em 2026, depois de registrar US$ 172 bilhões em 2025, cerca de 21% do total global, mostra a Moody’s. Os analistas avaliam que a transição é tema crucial e ressaltam o lançamento de taxonomias de finanças sustentáveis por um número crescente de países.
“O surgimento de taxonomias que incluem a transição ajudará a aumentar a mobilização de capital em setores intensivos em carbono, que têm enfrentado dificuldade para entrar no mercado de financiamento sustentável até o momento”, aponta o relatório.
Novas políticas dos EUA derrubam emissões de títulos sustentáveis
Na América do Norte, a emissão de títulos sustentáveis permanecerá restrita. Segundo a Moody’s, os volumes caíram fortemente em relação ao recorde anual de US$ 175 bilhões alcançado em 2021. O total regional em 2025 foi de US$ 67 bilhões, com apenas 8% do volume global.
“Nos EUA, a evolução das visões políticas sobre sustentabilidade e a contenção federal na política climática reduziram, particularmente, os volumes de títulos sustentáveis”, relata a Moody’s.
Já no Canadá, o avanço para estabelecer uma taxonomia sustentável pode impulsionar os volumes, especialmente no segundo semestre de 2026.