FGC muda discurso das 48h para pagar CDBs do Master: “Não existe prazo legal definido”; veja como fica quem ainda não foi ressarcido
Investidores relatam demora na liberação das garantias; Fundo afirma que checagens adicionais de segurança podem estender o prazo além da estimativa inicial
Site do Fundo Garantidor de Créditos (FGC): material oficial cita prazo de até três dias úteis, mas pagamentos podem demorar mais em casos de checagem adicional. (Foto: Adobe Stock)
Com início do pagamento das garantias do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a investidores do Banco Master, começaram também a surgir dúvidas e reclamações de credores que afirmam não ter recebido os valores dentro do prazo estimado de até 48 horas úteis após a conclusão da solicitação. O E-Investidor recebeu relatos de leitores que enfrentaram entreves justamente nas etapas de verificação e validação dos dados, o que acabou prolongando a liberação dos recursos. Veja o que responde o Fundo Garantidor.
Em resposta a esses investidores, o FGC tem informado que parte dos pagamentos pode passar por procedimentos adicionais de checagem. Em mensagens enviadas diretamente aos clientes, o Fundo explica que “em razão dos requisitos de segurança e dos procedimentos de prevenção à fraude, a validação dos pagamentos de alguns credores pode passar por etapas adicionais de validação“.
Segundo o órgão, esse processo é necessário para sustentar a segurança das operações, mas pode fazer com que, em alguns casos, a conclusão demore mais do que o inicialmente esperado.
Questionado pelo E-Investidor sobre os atrasos relatados, o FGC respondeu que não existe um prazo legal rígido para a realização dos pagamentos.
Em nota, o Fundo esclareceu que “não existe prazo legal definido para pagamento das garantias”, embora afirme empregar “os melhores esforços para que ocorram na maior brevidade possível”.
Até segunda-feira (19), no início dos pagamentos, o FGC tentava garantir esse prazo de 48h úteis – um intervalo que funciona como referência operacional, e não como obrigação legal.
Entretanto, a instituição informa que estão sendo processados cerca de 3,9 mil pedidos por hora. Dos 800 mil credores, até o momento, cerca de 600 mil pedidos já foram registrados, sendo que aproximadamente 448 mil credores finalizaram o processo de solicitação da garantia.
Além disso, agora também lidam com a liquidação do Will Bank, que adicionou estimativamente mais R$ 6,3 bilhões no bolo dos já R$ 40,6 bilhões do Master. O FGC se esforça para atender à todos o mais rápido possível.
O próprio Fundo destaca que os prazos divulgados ao público são projeções baseadas em experiências anteriores de liquidações, mas que não necessariamente se aplicam de forma uniforme a todos os casos.
Isso porque, conforme explicou na nota enviada ao jornal, “em função dos requisitos de segurança e procedimentos adotados de prevenção a fraudes, a validação de identidade e a liberação dos pagamentos de um percentual dos credores passarão por etapas adicionais de verificação“.
Essa checagem extra, segundo o FGC, pode estender o tempo necessário para a conclusão do processo.
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Após a confirmação do pagamento, os credores recebem uma cópia do documento assinado e o processo pode ser consultado, a qualquer momento, no aplicativo.
O que diz o FAQ? Saiba de uma vez por todas o prazo
Apesar dessas explicações, o próprio material oficial do Fundo pode gerar confusão entre os credores.
No FAQ do FGC, disponível ao público, a instituição informa que o pagamento da garantia deve ser pago em até três dias úteis após a conclusão do pedido pelo investidor.
Embora o Fundo ressalte que o prazo pode ser estendido caso haja divergência ou atraso na entrega de informações e documentos, a menção explícita aos três dias úteis acaba reforçando a expectativa de rapidez no ressarcimento.
Site do FGC informa que pagamentos ocorrem em até 3 dias úteis (Foto: site oficial do Fundo Garantidor)
Na prática, quando há necessidade de etapas adicionais de validação, esse intervalo pode ser superado, o que ajuda a explicar a frustração de parte dos investidores que, mesmo seguindo corretamente o procedimento, ainda aguardam a liberação dos recursos.