A operação majoritariamente em alta do mercado de ações em Nova York e o avanço de 2,81% do petróleo impulsionaram o principal índice da B3 hoje, na véspera das decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil.
Entre as maiores altas estiveram papéis mais sensíveis ao ciclo econômico, em meio ao recuo dos juros futuros após a divulgação do IPCA -15. “Essa questão do IPCA-15 é muito positiva. Significa que a inflação está desacelerando, está no teto da meta, isso anima muito o mercado para a questão de corte de juros, não para amanhã, mas talvez na próxima reunião”, avalia o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus.
O IPCA-15 reduziu o ritmo de alta de 0,25% em dezembro para 0,20% em janeiro, ante mediana de 0,23%, acumulando 4,50% (de mediana em 4,52%) nos últimos 12 meses, exatamente no teto da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Apesar do arrefecimento da inflação, a difusão, que mede o espalhamento do IPCA-15, acelerou de 54,5% para 63,50% no primeiro mês de 2026, conforme a Terra Investimentos, o que pode fazer com que o Banco Central mantenha o tom cauteloso no comunicado após a decisão do Copom na quarta-feira.
A expectativa de departamentos econômicos é de que o Copom preserve a taxa Selic em 15% ao ano pela quinta vez seguida, com foco do mercado no comunicado, em busca de sinais sobre o início do processo de afrouxamento dos juros.
Ao esperar Selic inalterada em 15% na decisão desta quarta-feira, o economista-chefe da Monte Bravo, Luciano Costa, diz que a ausência de sinalização quanto à possibilidade de corte, aliada à consolidação das expectativas em torno da manutenção da taxa neste nível, reforça o cenário de que o Copom não deverá contrariar o consenso.
Além disso, a valorização de 2,2% das ações da Vale, apesar do recuo de 0,51% do minério de ferro na China, ajudou o Ibovespa. A mineradora divulga, após o fechamento do mercado, seu relatório de produção e vendas referente ao quarto trimestre de 2025.
Nos EUA, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deve manter os juros no nível atual de 3,50% e 3,75% ao ano, ficando as atenções também na comunicação do banco central americano, em meio a pressões de Trump para corte das taxas e para a saída do presidente da autoridade monetária, Jerome Powell.
Conforme Bruno Takeo, estrategista da Potenza Capital, diante de incertezas nos EUA provocadas pelo presidente Donald Trump, o processo de rotação de ativos prossegue, com investidores estrangeiros renovando o interesse na B3. “Quando falamos com algumas gestoras, ainda percebemos certo receio, diante de uma eleição binária”, diz. “É cedo para falar em presença do investidor doméstico”, diz. “Hoje é bull market total”, acrescenta.
No mercado de câmbio, o dólar hoje fechou em queda de 1,38% cotado a R$ 5,2067, menor valor de encerramento desde 28 de maio de 2024, então a R$ 5,1540.
Ibovespa hoje: os destaques do mercado de ações desta terça-feira (27)
Bolsas de NY ficam mistas à espera de decisão do Fed
As bolsas de Nova York fecharam mistas, antes da decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). O Dow Jones recuou diante do tombo da UnitedHealth, após proposta do governo Trump de reajuste quase nulo às seguradoras de saúde. Já o S&P 500 e o Nasdaq subiram, apoiados por ações de tecnologia e pela expectativa de manutenção dos juros, com atenção ao tom do comunicado do Fed.
Na Europa, as bolsas fecharam majoritariamente em alta. Após acordo com o Mercosul, a União Europeia fechou um pacto de livre comércio com a Índia.
Já a bolsa da Coreia do Sul marcou fechamento inédito acima dos 5 mil pontos, apesar da ameaça de Trump de elevar tarifas de 15% para 25% ao país.
IPCA-15 sobe 0,20% em janeiro, abaixo das projeções
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) registrou alta 0,20% em janeiro, após ter subido 0,25% em dezembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado ficou abaixo da mediana das estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast, de avanço de 0,23%, com intervalo entre 0,15% e 0,42%. Com o resultado anunciado hoje, a taxa acumulada em 12 meses teve elevação de 4,50%. As projeções iam de avanço de 4,00% a 4,73%, com mediana de 4,52%.
Para Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD, o IPCA-15 de janeiro confirma uma inflação ainda sob controle na margem. Para ele, o alívio vindo das passagens aéreas ajuda a conter o número cheio, porém não altera o diagnóstico central: os núcleos seguem resilientes, com serviços subjacentes e bens industrializados mostrando persistência. “Para o Banco Central, o dado reforça a necessidade de cautela, já que a inflação subjacente ainda não permite discutir corte na taxa Selic no curto prazo”, diz.
Vale ressaltar, segundo Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos, que o núcleo de serviços segue pressionado e permanece incompatível com a meta. “O resultado não altera o viés da projeção anual, que permanece em 4,1%”, avalia.
Vale divulga prévia do 4T25 após o fechamento
A Vale publica previa dos resultados do quarto trimestre de 2025 e o consolidado do ano, após o fechamento dos mercados.
Na prévia operacional do 4T25, os analistas da Genial Investimentos destacam que a produção de minério de ferro deve recuar na comparação trimestral, para 89,3 milhões de toneladas, refletindo um movimento sazonal típico do início do período chuvoso. Ainda assim, o desempenho anual deve seguir positivo, com crescimento de 4,8% na base anual, sustentado pelo avanço dos projetos de S11D, no Pará, e Capanema, em Minas Gerais. Veja a análise completa.
Agenda econômica do dia
Ainda na agenda econômico hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viajou ao Panamá, onde participa amanhã do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe 2026 e tem reunião bilateral com o presidente do Panamá, José Raúl Mulino.
O Tesouro realizou leilão de Letra Financeira do Tesouro (LFT, título pós-fixado com rentabilidade atrelada à taxa de juros) e de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B, títulos públicos com rendimento atrelado à inflação).
No exterior, a Boeing, a UnitedHealth, a GM e a American Airlines divulgaram resultados. A Boeing teve lucro líquido de US$ 8,22 bilhões no quarto trimestre de 2025, múltiplas vezes maior do que a perda de US$ 3,77 bilhões apurada em igual período do ano anterior.
A UnitedHealth, por sua vez, teve lucro líquido de US$ 10 milhões no quarto trimestre de 2025, muito aquém do ganho de US$ 5,54 bilhões apurado em igual período do ano anterior. No resultado com ajustes, a maior seguradora de saúde dos EUA registrou lucro por ação de US$ 2,11 no período, em linha com a previsão de analistas consultados pela FactSet.
A General Motors (GM) teve prejuízo líquido de US$ 3,31 bilhões no quarto trimestre de 2025, maior do que o prejuízo de US$ 2,96 bilhões apurado em igual período do ano anterior. Em termos ajustados, a montadora americana teve lucro por ação de US$ 2,51 entre outubro e dezembro, bem acima do consenso de analistas consultados pela FactSet, de US$ 2,27.
Por fim, a American Airlines registrou lucro líquido de US$ 99 milhões no quarto trimestre, equivalente a US$ 0,15 por ação, bem abaixo da projeção de analistas consultados pela FactSet, que esperavam lucro de US$ 0,37 por ação.
Esses e outros dados do dia ficaram no radar de investidores e impactaram as negociações na bolsa de valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa hoje.
*Com informações de Maria Regina Silva, Silvana Rocha e Luciana Xavier, do Broadcast