A fabricante americana registrou receita de US$ 23,9 bilhões no trimestre, alta de 57% na comparação anual, impulsionada principalmente pela entrega de 160 aeronaves comerciais. O fluxo de caixa operacional ficou positivo em US$ 1,3 bilhão, enquanto o fluxo de caixa livre somou US$ 0,4 bilhão, revertendo a forte queima de caixa observada em períodos anteriores.
O resultado contábil foi influenciado por um ganho extraordinário de US$ 9,6 bilhões com a venda de ativos ligada à conclusão da transação da divisão de Soluções de Aviação Digital. Esse efeito inflou o lucro e as margens no trimestre e explica parte do desempenho acima do esperado.
No acumulado de 2025, a Boeing alcançou receita de US$ 89,5 bilhões e entregou 600 aeronaves, os maiores volumes anuais desde 2018. A carteira total de pedidos avançou para um recorde de US$ 682 bilhões, incluindo mais de 6.100 aviões comerciais, o que garante elevada visibilidade de receitas para os próximos anos.
O segmento de aviação comercial voltou a ganhar tração, com aumento da produção do 737 e avanços nos programas 787 e 777X, embora a divisão ainda opere com prejuízo. Já o caixa da empresa subiu para US$ 29,4 bilhões ao fim do trimestre, reforçado pelo fluxo de caixa e pela venda de ativos, mesmo com a elevação da dívida para US$ 54,1 bilhões após a aquisição da Spirit AeroSystems.
Para o investidor, o balanço indica progresso na normalização das operações, mas também reforça que parte do lucro recente decorre de eventos com baixa ocorrência. A recuperação estrutural da Boeing segue atrelada à capacidade de aumentar entregas, cumprir cronogramas de certificação e manter disciplina financeira em 2026.
Apesar do avanço da receita, da melhora na geração de caixa e da carteira de pedidos recorde, o balanço não foi suficiente para sustentar as ações no pregão. Às 17h (horário de Brasília), os papéis da Boeing (BOEI34) negociados na B3 recuavam 3,53%, a R$ 1.265,15. Em Nova York, as ações listadas na Nyse, BA, caíam 2,76%, cotadas a US$ 242,26.