Embraer (EMBR3), a produtora de jatos brasileira (Foto: divulgação/ Embraer)
A Embraer (EMBR3) encerrou o quarto trimestre de 2025 com uma carteira de encomendas de US$ 31,6 bilhões, alta anual de 20% e avanço de 1% na comparação trimestral. Para o Citi, o resultado “reforça a solidez” operacional da companhia, “coroa um ano considerado promissor” e “sustenta um início forte para 2026”.
Todos os segmentos apresentaram crescimento anual, ainda que moderado, com avanços de um dígito. “O grande destaque foi a Aviação Comercial, cuja carteira de pedidos saltou 42% ante 2024, alcançando US$ 14,5 bilhões”, pontuam os analistas André Mazini, Kiepher Kennedy, Piero Trotta e Philip Nielsen, em relatório.
Para eles, contudo, na dinâmica trimestral, os números refletiram “movimentos mistos”. A Embraer adicionou 23 aeronaves E195-E2 e quatro E175 para a Air Côte d’Ivoire. “Esses ganhos, no entanto, foram parcialmente compensados pela renegociação de 21 E195-E2 com a Azul, o que levou a contração de 5% na carteira de encomendas da Aviação Comercial após as entregas já divulgadas”, observam.
Mesmo assim, a relação entre pedidos e faturamento (book-to-bill), acrescenta o Citi, permaneceu acima de 1 vez em todas as divisões (2,8 vezes na Aviação Comercial, 1,1 vez na Executiva e 1,4 vez em Defesa), “sinalizando potencial de crescimento de receitas nos próximos períodos”, pontua.
Para os analistas, os dados de entregas, divulgados no início de janeiro, mostraram desempenho “consistente”. A Aviação Executiva entregou 55 jatos no trimestre, encerrando 2025 no limite superior do guidance anual, com 155 aeronaves entregues (faixa prevista de 145 a 155). Já a Aviação Comercial entregou 32 aeronaves no trimestre e fechou o ano com 78 unidades, próximo ao piso da projeção anual (77 a 85).
No segmento comercial, o E195-E2 respondeu pela maior parte das entregas, com 15 unidades, sustentando a perspectiva de crescimento de receita futura. Na Aviação Executiva, houve predominância de jatos leves, liderados pelo Phenom 300, com 23 entregas no período.
Somadas, as divisões comercial e executiva registraram 85 entregas no quarto trimestre, evidenciando a melhora da capacidade produtiva da Embraer após os investimentos realizados em bens de capital nos últimos anos.
“Em paralelo, o aumento da volatilidade no cenário geopolítico em 2026 tende a favorecer a divisão de Defesa, que apresentou desempenho sólido no trimestre, com a entrega de seis aeronaves (2 KC-390 e 4 Super Tucano)”, finaliza o banco.
O Citi tem recomendação de compra para a Embraer (EMBR3) e preço-alvo de US$ 77, o que significa um potencial de desvalorização de 3,6% em relação ao pregão desta terça-feira na Nyse.